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O Cavalo Branco

 

 

 A forte probabilidade do País entrar em guerra, desassossegou a pacatez da pequena aldeia.

 

Os ventos que chegavam de longe e traziam a notícia, não agoiravam nada de bom.

 

– Avizinham-se tempos difíceis meus amigos… – Tomé, o dono do pequeno café, sentenciava com alta voz o que toda clientela temia.

 

Esta informação gerava grande apreensão e inquietação, principalmente aos chefes de família.

 

O assunto demasiado sério gerou um debate aceso que se estendeu por toda a manhã.

 

No entanto Alexandre parecia completamente alheado de tudo…

 

Sentado numa mesa ao fundo, olhava para o exterior, enquanto bebia o seu café.

 

Lá fora um pequeno pardal saltitava por entre flocos de neve que caíam naquela manhã de Outono.

 

– Então Alexandre, não dizes nada? – Fazia tempo que Tomé o observava.

 

Existia um laço de amizade muito forte entre ambos, nascido na meninice, o que fez deles “amigos inseparáveis”.

 

Cresceram e amadureceram juntos, e bem cedo todos se aperceberam que havia uma cumplicidade entre eles.

 

Podia ser uma brincadeira inocente ou a pior das traquinices, mas onde estava o dedo de um, estava também a mão de outro, isso era garantido!

 

Eles eram verdadeiramente irmãos de alma e coração.

 

Bastava uma troca de olhares para decifrarem entre si o que sentiam ou pensavam. Naquele exacto momento Tomé sabia que Alexandre pensava em Maria, por isso arranjou maneira de o trazer de volta.

 

– Enquanto lá fora cai a primeira camada de neve, aqui o calor está ao rubro – constatou Alexandre em jeito de brincadeira, para aliviar a tensão que pairava no ar.

 

– Ora aí está uma boa maneira de aquecer os corpos gelados que aqui chegam. – Soltou Tomé com uma risada estridente.

 

Toda a clientela o acompanhou, aliviando assim o clima pesado que se ali se formara. Alexandre não era um homem de muitas palavras, embora fosse bastante observador.

 

As vezes dava mesmo a sensação de estar totalmente alheado, mas tal não era verdade.

 

A realidade é que ele não gostava nem de opinar sobre assuntos dos quais não tinha um conhecimento aprofundado, nem de rumores.

 

E a notícia da guerra que ali se debatia naquela manhã, não passava disso mesmo, rumores. Pelo menos por agora…

 

Nutria por todos os presentes uma grande estima, mas havia um detalhe com o qual Alexandre não se identificava.

 

Aqueles homens gostavam de passar horas e horas em grandes debates, a tecer os mais variados comentários independentemente do tema ou da veracidade do mesmo.

 

Para eles não era relevante se o mesmo era ou não verdade.

 

Se fosse boato mais tarde ou mais cedo se viria a saber, mas até lá…

 

Isso deixava Alexandre profundamente irritado, e quando assim era, não compactuava com eles em divagações e em meras probabilidades.

 

Era no entanto muito respeitado e admirado por todos, e sempre que ele tecia algum comentário, prestavam-lhe a devida atenção.

 

Naquela manhã não lhe apetecia falar na eventualidade de uma guerra. Também ele tinha um filho, assim como a maioria dos que ali se encontravam, por isso recusou pensar na hipótese do seu rapaz ser levado para um campo de batalha.

 

Fazia anos que o destino lhe tinha pregado uma valente partida, levando-lhe a sua doce Maria, quando ela deu a luz o seu primogénito. Daí que nem hipoteticamente ele queria pensar numa repetição do destino.

 

A vida já tinha sido madrasta ao deixa-lo viúvo com um recém-nascido nos braços…

 

Ainda assim e apesar do grande infortúnio, e das suas consequências, no semblante de Alexandre nunca se avistou uma nuvem de revolta.

 

– Deus sempre sabe o que faz – Era esta a convicção de Alexandre.

 

Mas bastava de sofrimento… até porque a dor da saudade tinha feito morada no seu peito. O seu olhar sereno era um misto de dor, resignação, fé e esperança.

 

Esperança essa que ele não iria deixar desvanecer pelos rumores de uma guerra.

 

André era o seu orgulho e a razão da sua existência!

 

Foi ele a alavanca que Deus usou para o erguer no meio de tanto sofrimento.

 

Há quem diga que a tribulação amansa ou embravece o coração.

 

No caso de Alexandre, ela não só amansou com também adocicou.

 

Esta era a opinião dos seus amigos e vizinhos.

 

O dia em que tudo aconteceu ainda estava bem presente na sua memória…

 

– Complicações Sr. Alexandre… – anunciou a parteira banhada em suor e lágrimas.

 

Pobre mulher… fez o que pode mas… a Deus aprouve leva-la.

 

Não existe nenhum antídoto para atenuar a dor causada por uma da tragédia, tenha ela um culpado ou não, e neste caso não tinha.

 

A serenidade que transparecia hoje do seu olhar era pois fruto das muitas vicissitudes sofridas ao longo da vida.

 

Não é fácil ser-se pai, muito menos pai e mãe ao mesmo tempo.

 

Claro que a mão de Deus esteve presente para lhe dar graça e a sabedoria, ajudando-o assim a ultrapassar os obstáculos do dia-a-dia.

 

Os seus pensamentos foram despertos pela entrada abrupta de André no café. Vinha completamente ofegante por tanto correr.

 

– De certeza que houve problemas na quinta – pensou Alexandre – para que André se tenha aventurado a vir aqui com este frio.

 

E assim era… o cavalo branco tinha desaparecido.

 

– Pai… o cavalo desapareceu – balbuciou André completamente exausto.

 

– Desapareceu como? A porta do estábulo não estava fechada? – Questionou Alexandre.

 

– Pois estava, mas ele não está lá – os olhos de André reflectiam bem a imagem da preocupação.

 

O cavalo branco era o que de maior valor patrimonial possuíam.

 

Por ele a sua fama correu por todos o país. Nunca até então ninguém vira um animal mais belo que aquele, e agora tinha desaparecido.

 

– Oh não querem ver que te roubaram o cavalo? – Disse um dos presentes.

 

– Só pode, se a porta estava fechada como disse o André! – Concluiu outro.

 

– Mas que desgraça agora roubarem o teu cavalo branco! – O debate sobre a guerra foi completamente esquecido.

 

O tema central no pequeno café da aldeia passou a ser então o roubo do cavalo.

 

– Calma, meus amigos, tenham calma. Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais no estábulo. O resto é julgamento vosso. – Atalhou de imediato Alexandre.

 

Pai e filho despediram-se, saindo dali apressadamente. Os dois vultos embrenharam-se na neve que caía agora com mais intensidade,

 

Atrás deles ficou a agitação do novo acontecimento:

 

O roubo do cavalo branco de Alexandre.

 

Passaram-se vários dias sem que o animal desse algum sinal de vida. Alexandre e André, o seu rapaz, prosseguiam com a sua vida rotineira.

 

O trabalho da quinta não era leve, apesar de esta ser pequena, mas a única mão-de-obra existente era a de ambos e nada mais.

 

André não tocou mais no assunto, até porque o seu pai já andava cansado de ouvir os constantes comentários que se faziam na aldeia.

 

Ele tinha uma profunda admiração pela forma como o pai lidava com aquela situação. Sendo o cavalo uma perda tão avultada ele confiava tudo nas mãos de Deus e esperava tranquilo.

 

Era sempre assim, às vezes essa mesma tranquilidade mediante as mais duras provas chegavam a arreliar André. Mas no fim ficava provado que era o pai que estava certo.

 

Deus nunca os deixara ficar mal até aquele dia, e agora não iria ser diferente.

 

– Deus sabe o que faz meu filho, e se Ele permitiu que o cavalo se fosse embora, lá terá os seus motivos.

 

– Não vejo quais meu pai – foi a única coisa que André se atreveu a dizer no dia a seguir ao sumiço do animal. Depois disso nenhum dos dois tocou no assunto.

 

Cada qual à sua maneira entregou o problema no altar de Deus e esperou.

 

Mediante a calma que Alexandre demonstrava, os vizinhos, começaram a fazer troça.

 

– Passados já estes dias, tu ainda esperas o cavalo? – Perguntou-lhe um deles com ironia.

 

– Oh homem, o animal nunca mais vai aparecer… – Ironizou outro.

 

– Veremos meus amigos, veremos. – Era a resposta branda de Alexandre às ironias vizinhas.

 

O tempo foi passando, até que ao fim de duas semanas e contra todas as previsões da aldeia, o animal apareceu na quinta.

 

O cavalo tinha fugido para a floresta. Mas agora não regressava sozinho, trazia com ele doze cavalos selvagens.

 

E que belos cavalos selvagens aqueles!

 

A notícia espalhou-se como moinha ao vento, originando uma grande animação na aldeia.

 

Vizinhos e amigos apresentaram-se então de imediato na quinta, não só para os felicitar mas também para poderem apreciar a beleza dos animais.

 

– Tinhas razão Alexandre, não é que o bicho apareceu mesmo? – Dizia um dos presentes.

 

– Até parece que adivinhavas. Mas que grande fé a tua homem! – Dizia outro enquanto lhe dava leves palmadinhas nas costas em jeito de celebração.

 

– Isto é que é uma bênção, agora em vez de um cavalo tens uma manada! – Atestou outro.

 

– Exactamente, que grande bênção homem! – O comentário era unânime.

 

– E nós que dizíamos que o sumiço do animal tinha sido uma desgraça, vejam lá bem.

 

Dias antes, teciam variadíssimos comentários irónicos à situação de Alexandre, agora comemoravam o recebimento de uma bênção tremenda.

 

– Obrigado, meus amigos – agradeceu Alexandre – mas vocês estão de novo a precipitar-se. Quem poderá afirmar se o facto de o meu cavalo ter voltado com companhia, é ou não uma bênção?

 

Digam apenas que o cavalo está de volta… não estejam sempre a fazer julgamentos.

 

– Oh Alexandre não digas disparates, então não se vê logo que é uma bênção? –

 

– E que bênção, e que bênção. Pará lá com a tua mania das modéstias.

 

É claro que Alexandre estava feliz com a volta do animal, Deus não só ouviu como atendeu às suas orações. Mas a insistência destes homens, em fazer julgamentos precipitados, incomodava-o.

 

Tomé, o seu inseparável amigo aproximou-se dele e segredou-lhe:

 

– Tu já sabes como este povo é, não lhes ligues.

 

Alexandre encolheu os ombros com desalento.

 

Quem ficou completamente eufórico com o regresso do cavalo branco foi André.

 

No dia seguinte levantou-se bem cedo para dar início aos trabalhos.

 

A domesticação dos doze animais selvagens.

 

Tinha uma árdua tarefa pela frente, mas iria valer a pena.

 

Alexandre constatou isso mesmo nos dias seguintes, os progressos eram notáveis.

 

O seu rapaz estava a fazer um belo trabalho.

 

Isso iria reverter num acréscimo patrimonial para ambos!

 

No entanto e contrariando a animação que se vivia na quinta, as notícias que chegavam de longe eram as piores.

 

O País ia mesmo entrar em guerra.

 

– Meus amigos, agora já não falamos em meros boatos ou suposições. É uma realidade e temos de a encarar de frente – Disse Tomé.

 

– Falas bem porque não tens filhos – argumentou com agressividade um dos homens. Estavam todos extremamente pesarosos e tendo em conta isso mesmo, Tomé não se ofendeu.

 

– Não é bem assim… – Limitou-se a responder.

 

É verdade que ele não tinha constituído família. Comentava-se em surdina que o medo o levou a casar-se com o café. Não quis correr o risco de ser atropelado pelo destino, como o foi Alexandre, o seu amigo.

 

A morte prematura de Maria e o sofrimento que a mesmo causou traumatizou Tomé.

 

Mas a verdade é que ele amava André como a um filho.

 

Ele não era só seu afilhado…não. Aquela criança foi o elo de ligação que Maria lhes deixou antes de partir. A ele e a Alexandre.

 

O rapaz não teve um pai e uma mãe como é supostamente normal, mas em contrapartida teve ao seu lado dois homens que desempenharam com destreza o papel de pais.

 

Capazes de dar a vida por ele, se preciso fossem.

 

Daí a notícia o abalar tanto como a qualquer pai de família que ali se encontrava.

 

– É verdade, o tempo dos rumores já lá vai. – Concluiu Alexandre.

 

– Dizem que todos os rapazes da aldeia terão de se alistar. Têm que ir defender a pátria – disse com profundo pesar um dos fregueses.

 

– Vamos ficar sem os nossos rapazes, é o que é… – o desânimo era total.

 

– E agora meus amigos, como vamos nós levar esta notícia para casa? – A pergunta que vinha do balcão era pertinente.

 

– Valha-nos Deus… – Suspirou um deles.

 

As informações chegavam primeiramente ao café, onde eram analisadas e debatidas e só depois levadas à população.

 

Eles faziam o trabalho de pombo-correio, uma tarefa que lhes dava imensa satisfação, mas esta… era demasiado dolorosa.

 

Todas as famílias iriam ser afectadas.

 

-Queres que te acompanhe a casa para dar a notícia ao rapaz? – Perguntou-lhe Tomé.

 

– Agradeço-te, mas não há necessidade – o semblante de Alexandre estava carregado de lembranças – Logo agora que ele anda tão entusiasmado com os cavalos… – Mas não era essa a razão do seu pesar.

 

Foi com um suspiro que as dores da memória se ergueram e dirigiram para casa.

 

Nunca o caminho até a quinta lhe pareceu tão longo.

 

No trajecto ensaiava vários discursos, na tentativa de aligeirar a notícia o mais possível. Mas conseguiria ele transmitir a mesma sem destroçar o coração do filho?

 

Uma má notícia causa sempre sofrimento, isso é inevitável e ele sabia-o.

 

Era mais um duro golpe do destino nas suas vidas.

 

O ar encontrava-se gélido naquela tarde, e o vento soprava com demasiada força.

 

Estes dois elementos da natureza foram os companheiros dos seus pensamentos.

 

Chegou por fim à quinta.

 

Na frente da casa a pequena palmeira que André plantara na Primavera anterior, debatia-se com o vento. Era um arbusto ainda jovem mas lutava com bravura.

 

Sacudida violentamente por ele torcia-se e contorcia-se mas… mantinha-se firme no seu lugar.

 

Alexandre parou a contemplar aquele cenário. Aquela frágil palmeira transmitiu-lhe uma forte mensagem. Acabava de receber o alento necessário para enfrentar aquele momento.

 

– Obrigado. – Disse de coração agradecido e de olhos postos no céu.

 

Com a passada firme, dirigiu-se para o interior da sua casa e chamou pelo filho. Aguardou alguns segundos, mas não obteve qualquer resposta.

 

Com aquela ventania era impensável que o rapaz não estivesse em casa.

 

Ergueu um pouco o tom de voz e voltou a chamar:

 

– André… onde estás? – Só o silêncio lhe respondeu.                              

 

Visivelmente arreliado, dirigiu-se até ao estábulo.

 

– Que irresponsabilidade da sua parte sair de casa com este tempo – pensava Alexandre.

 

Faltavam poucos metros para chegar ao estábulo, quando ouviu um gemido.

 

– André, André – chamou ao percorrer apressado a pouca distância que os separava.

 

– Pai… pai! – Havia dor na sua voz.

 

Alexandre abriu violentamente o portão.

 

A sua frente, deitado no chão, o rapaz contorcia-se com dores.

 

– O que aconteceu rapaz? – Perguntou-lhe aflito.

 

– Como estava frio, resolvi fazer o treino dos cavalos aqui, e o pardo… lançou-me ao chão… – Relatou com dificuldade ao mesmo tempo que do seu rosto corriam gotas de suor. Estava cheio de dores.

 

– Tem calma André e não te mexas, enquanto vou buscar ajuda. – Alexandre não tinha grandes conhecimentos médicos, mas a avaliar pela posição do rapaz, as suas pernas não se encontravam em muito bom estado.

 

– Desculpe pai… – disse André com a voz trémula.

 

– Vou chamar o Dr. Mauro, e tu fica quieto, e não te mexas.

 

Prendeu o cavalo pardo e foi chamar o médico.

 

Não tardaram muito em chegar, embora a André lhe tenha parecido uma eternidade.

 

O médico avaliou com cuidado o seu estado.

 

O diagnóstico, tal como o pai previra, não foi bom.

 

– Lamento meu rapaz, mas tens as duas pernas fracturadas. – Concluiu ele.

 

– Lindo serviço André! – O tom da voz paterna denotava preocupação, mas não denunciava que estivesse zangado.

 

Isso aliviou um pouco a dor emocional de André.

 

– Vais ter uns valentes dias de repouso, e os teus cavalinhos vão ter que esperar.

 

– Repouso absoluto? – Perguntou André entre gemidos.

 

– Claro! Achas que consegues fazer alguma coisa nesse estado?

 

André limitou-se a acenar que não com a cabeça.

 

O seu projecto com os cavalos teria que ser adiado.

 

– Quanto tempo é que vou ter de ficar em repouso absoluto?

 

– Bem se não houver complicações entre 2 a 3 meses, mas depois terás de fazer fisioterapia durante um bom tempo.

 

– Tanto assim? – Questionou Alexandre.

 

– Isto se não houver mais que uma fractura nos ossos de ambas as pernas… – disse ao mesmo tempo que lhe administrava uma injecção de «cavalo» para aliviar um pouco as dores.

 

Alexandre soltou um sonoro suspirou de alivio, deixando o Dr. Mauro intrigado.

 

– Esperavas um diagnóstico pior? – Perguntou ao mesmo tempo que franzia as suas fartas sobrancelhas.

 

– Não, não esperava. Mas este acidente vai impedir que André tenha de se alistar para Guerra – esclareceu ele.

 

– É verdade. Tens toda a razão em suspirar de alívio – concordou o médico – Até o André o fará logo que as dores o larguem um pouco.

 

Assim que o analgésico começou a fazer efeito, André foi imobilizado, para que os dois homens o pudessem levar para o hospital na vila mais próxima.

 

Depois de feitas as radiografias e já no seu quarto foi confrontado com o diagnóstico final.

 

– As minhas suspeitas confirmam-se – começou por dizer o Dr. Mauro, com os olhares de pai e filho cravados nele – há na perna esquerda a fractura do fémur, mas na direita o estrago é maior. A tíbia esta fracturada em dois sítios…

 

O médico ia analisando por cima dos óculos, o impacto que a notícia causava nos dois.

 

– Isso trocado em miúdos quer dizer o quê doutor? – Perguntou Alexandre.

 

– Bem… quer dizer que a recuperação vai ser lenta e terá de haver da tua parte – dirigia-se agora para André – muita paciência e cooperação.

 

– Quais são as suas previsões doutor até a minha recuperação total? – Perguntou André com um profundo suspiro.

 

– Talvez 1 ano, ou talvez menos. Depende de como a cicatrização corre e do teu empenho na fisioterapia.

 

– Vê o lado bom das coisas rapaz – disse-lhe o pai por fim – ficarás livre da guerra por um bom tempo.

 

Na realidade e dada a imaturidade própria da juventude, era Alexandre quem mais valorizava este “lado bom” do acontecimento.

 

– Que bom pai … – Respondeu-lhe desanimado.

 

– Sr. André vamos dar um passeio até ao bloco operatório? – O enfermeiro Gomes tinha um ar simpático e descontraído. Foi com grande a vontade que entabulou conversa com o novo paciente, e o levou para fora do quarto.

 

Era um profissional competente que demonstrava amar o seu ofício.

 

(continua)…..

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