Category: Estudo


CARNAVAL

 

Carnaval

 

O Carnaval, essa festa que arrebata multidões para as ruas, promove desfiles sumptuosos, comilança, excessos em geral e também muita violência, liberalidade sexual etc.

Ao estudarmos a origem do Carnaval, vemos que ele foi uma festa instituída para que as pessoas pudessem se empanturrar com comidas e festa antes que chegasse o momento de consagração e jejum que precede a Páscoa, a Quaresma.

Veja o que a “The Grolier Multimedia Encyclopedia”, 1997 nos diz a respeito:

"O Carnaval é uma celebração que combina desfiles, enfeites, festas folclóricas e comilança que é comummente mantido nos países católicos durante a semana que precede a Quaresma. Carnaval, provavelmente vem da palavra latina "carnelevarium" (Eliminação da carne), tipicamente começa cedo no ano novo, geralmente no Epifânio, 6 de Janeiro, e termina em Fevereiro com a Mardi Gras na terça-feira da penitência Shrove Tuesday."

(The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.

Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

Em contra partida vemos que isso era apenas um pretexto para que os romanos e gregos continuassem com suas comemorações pagãs, apenas com outro nome, já que a Igreja Católica era quem ditava as ordens na época e não era nada ortodoxo se manter uma comemoração pagã em meio a um mundo que se dizia Cristão.

"Provavelmente originário dos "Ritos da Fertilidade da Primavera Pagã", o primeiro carnaval que se tem origem foi na Festa de Osíris no Egipto, o evento que marca o recuo das águas do Nilo.

Os Carnavais alcançaram o pico de distúrbio, desordem, excesso, orgia e desperdício, junto com a Bacchanalia Romana e a Saturnalia. Durante a Idade Média a Igreja tentou controlar as comemorações. Papas algumas vezes serviam de patronos, então os piores excessos eram gradualmente eliminados e o carnaval era assimilado como o último festival antes da ascensão da Quaresma.

A tradição do Carnaval ainda é comemorada na Bélgica, Itália, França e Alemanha.

No hemisfério Ocidental, o principal carnaval acontece no Rio de Janeiro, Brasil (desde 1840) e a Mardi Gras em Nova Orleans, E.U.A.  (desde 1857).

Pré-Cristãos medievais e Carnavais modernos têm um papel temático importante.

Eles celebram a morte do inverno e a celebração do renascimento da natureza, ultimamente reunimos o individual ao espiritual e aos códigos sociais da cultura.

Ritos antigos de fertilidade, com sacrifícios aos deuses, exemplificam esse encontro, assim como fazem os jogos penitenciais Cristãos.

Por outro lado, o carnaval permite paródias, e separação temporária de constrangimentos sociais e religiosos.

Por exemplo, escravos são iguais aos seus mestres durante a Saturnália Romana; a festa medieval dos idiotas inclui uma missa blasfémica; e durante o carnaval fantasias sexuais e tabus sociais são, algumas vezes, temporariamente suspensos."

(The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.

Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

A Enciclopédia Grolier exemplifica muito bem o que é, na verdade, o carnaval. Uma festa pagã que os católicos tentaram mascarar para parecer com uma festa cristã.

Os romanos adoravam comemorar com orgias, bebedeiras e glutonaria.

A Bacchalia era a festa em homenagem a Baco, deus do vinho e da orgia, na Grécia, havia um deus muitíssimo semelhante a Baco, seu nome era Dionísio, da Mitologia Grega Dionísio era o deus do vinho e das orgias.

Veja o que The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997 diz a respeito da Bacchanalia, ou Bacanal, Baco e Dionísio e sobre o Festival Dionisíaco:

"O Bacanal ou Bacchanalia era o Festival romano que celebrava os três dias de cada ano em honra a Baco, deus do vinho.

Bebedeiras e orgias sexuais e outros excessos caracterizavam essa comemoração, o que ocasionou sua proibição em 186 dC."

(The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.

Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

Essa descrição da Bacchanalia encaixa como uma luva em Carnaval

"Da Mitologia Romana, Baco era o Deus do vinho e da orgia.

O filho de Semele e Júpiter, Baco era conhecido pelos gregos como Dionísio. Sua esposa era Ariadine."

"Dionísio era o antigo deus grego da fertilidade, danças ritualistas e misticismo.

Ele também supostamente inventou o vinho e também foi considerado o patrono da poesia, música e do drama.

Na lenda Órfica Dionísio era o filho de Zeus e Persephone; em outras lendas, de Zeus e Semele.

Entre os 12 deuses do Monte Olimpo ele era retratado como um bonito jovem muitas vezes conduzido numa carruagem puxada por leopardos.

Vestido com roupas de festa e segurando na mão uma taça e um bastão.

Ele era geralmente acompanhado pela sua querida e atendido por Pan, Satyrs e Maenades. Ariadine era seu único amor."

"O Festival Dionisíaco era muitas vezes orgíaco, adoradores algumas vezes superavam com êxtase e entusiasmo ou fervor religioso.

O tema central dessa adoração era chamado Sparagmos: deixar de lado a vida animal, a comida dessa carne, e a bebida desse sangue. Jogos também faziam parte desse festival."

(The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.

Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

O Festival Dionisíaco então, não parece ser a mesma coisa que a Bacchanalia e o Carnaval?

 

Nós, os Cristãos, não devemos concordar de modo algum com essa comemoração pagã, que na verdade é em homenagem a um falso deus, patrono da orgia, da bebedeira e dos excessos.

Pense nisso.

 

Irlan de Alvarenga Cidade

Fonte: http://www.vivos.com.br/150.htm

                                                                        

                                                                    

Se tiver curiosidade e desejar saber mais acerca de tema:

http://www.mulhercriativa.com.br/esoterismo/hieros-gamos-e-magia-sexual-parte-1

 


E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Romanos 12:2

 

 

Deus vos abençoe

Flor®

 

 

 

As Lágrimas do Crente

P MJJ

Pastor Manuel Jacinto Joana      

                                                         As Lágrimas do Crente”

 

 

 

 

“Perguntou-lhe Jesus: Mulher, porque choras? A quem procuras?”

 João 20:15

 

INTRODUÇÃO

 

Desde a queda inicial, a mulher tem tido muitos motivos para chorar.

Ao dirigir-se voluntariamente para a morte, Jesus viu pelo caminho muitas mulheres que choravam.

Na Sua ressurreição encontrou um grupo dessas mulheres.

E as primeiras palavras do Salvador ressurrecto são dirigidas precisamente, a uma delas que chorava.

 

Aquele que nasceu de mulher veio para enxugar as nossas lágrimas.

 

IA tristeza é natural?

 

1.1 Estás desolado?

 

O Salvador ressurrecto conforta-te.  

Ele assegura-te a ressurreição dos que já partiram.

Aquele que ressuscitou dentre os mortos está contigo.

 

Jesus entende o teu sofrimento.

Jesus chorou, quando teve conhecimento do falecimento do Seu amigo Lázaro.

Ele compreende-nos porque Ele próprio experimentou a morte.

 

 

 

1.2 Estão enfermos aqueles que tu amas?

 

Ele vive para ouvir a tua oração em favor deles.

 

 1.3 Estás doente?

 

Jesus vive para minimizar as tuas dores.

Jesus vive para sustentar o teu coração sob o sofrimento.

Jesus vive para dar vida ao teu corpo como fez com a tua alma.

        

II – É espiritual a tua tristeza?

 

2.1 Analisa “Porque choras?”

   

  É uma tristeza egoísta?

  Envergonha-te dela.

 

  É tristeza provocada por rebeldia?

  Arrepende-te dela.

  Aprende com Jesus, e assim foge dela.

 

  Estás desesperada/o?

Crê em Deus e espera sempre.

 

2.2 Declara.

      Diz a Jesus tudo sobre a tua tristeza.

 

2.3 “Porque choras?”

      É tristeza por outros?

      Jesus chora contigo.

 

      Aqueles a quem tu amas permanecem no pecado?

      É tristeza de uma busca santa?

      Jesus te satisfaz.

      As tuas orações fracassam?

      A tua velha natureza se revela?

      Jesus fortalecer-te-á.

      Vem a Jesus, Ele aceita-te:

      Nele, e somente Nele encontrarás tudo o que te satisfaz.

 

 Conclusão

 As primeiras palavras que Cristo proferiu, após a Sua ressurreição, àquela a quem apareceu foi:

“Mulher, porque choras?”

É uma boa pergunta, depois da ressurreição de Cristo.

Qual a causa de choro que resta, agora que Cristo ressuscitou?

Os nossos pecados foram perdoados, porque Ele, nosso Mestre e Fiador, sofreu a morte por nós; e se Cristo ressuscitou, porque choramos?

Se somos pecadores abatidos, humilhados, e estamos interessados na Sua morte e ressurreição, não temos mais motivos para estar angustiados.

 

“Os homens bons choram facilmente”, diz um poeta grego; e quanto melhores, mais inclinação têm para chorar, sobretudo na aflição.

Podemos ver isso em David, cujas lágrimas, em vez de pedras preciosas, eram os ornamentos de seu leito; em Jonas, Jó, Esdras, Daniel, e outros.

Alguém disse: “Deus enxugará as minhas lágrimas no céu, se eu não derramar nenhuma na terra?”

E como ceifarei com júbilo se não semear com lágrimas?

Eu nasci com lágrimas, e morrerei com lágrimas.

Então, porque deveria eu viver sem elas neste vale de lágrimas?

 

Que Deus ricamente vos abençoe.

                                                                          

 

LUTERO E A FÉ

 
LUTERO
LUTERO E A FÉ

Sola Fide Sola Gratia Sola Scriptura é a consagrada expressão que procura sintetizar o pensamento de Lutero ou, pelo menos, a motivação da sua acção no despoletar da Reforma quinhentista.

A uma análise mais atenta e em pormenor, verifica-se que esta expressão tem um elemento redutor, funcionando como denominador comum, funcionando como base em que se fundamenta todo o edifício reformador e, por conseguinte e arrastamento, toda a elaboração do pensamento e motivações de Lutero. Esse elemento é o primeiro membro da preposição – SOLA FIDE. Com efeito, no pensamento de Lutero, não se entende a gratia Dei sem a fides, nem a Scriptura nos surge como a Scriptura com a ausência da fides. A Scriptura como tal, só se realiza no Homem acompanhada e intercalada com a fides. A Scriptura, como outro dom de Deus, só se assume nos seus contornos e conteúdo se a fides, assumida ela também como dom de Deus, estiver sustentando a abertura do Homem à voz da revelação e da Palavra divinas.

Outrossim, a gratia – indispensável à sobrevivência espiritual do Homem, na sua relação com Deus – ainda que só entendida plenamente à luz da Escritura, deixa de ser gratia se ela não estiver e não for vinculada pela fé, deixa de ter sentido, deixa de ser apreendida e de produzir efeito, se a fides não estiver presente.

A fides funciona, assim, como uma chave descodificadora dos enigmas da Scriptura e da gratia. É a fides que nos permite situar-nos no mundo e na vida, é a fides que ao permitir ao Homem situar-se perante Deus lhe permite também situar-se em relação a si mesmo.

Posta a questão nestes termos, fácil é entender que todo o sistema religioso de Lutero, toda a teologia luterana deixa de fazer sentido sem a compreensão do que é a fides para o Reformador, pois toda a sua teologia gira em torno do conceito da fé.

O que é, então, a fides, qual o seu conteúdo e alcance? Quando surgiu em Lutero, elaborado, este conceito de fides? Qual o percurso sofrido pelo Reformador para atingir a sua ideia de fides?

Geralmente, associa-se a pregação das indulgências pelo Dominicano Tetzel ao grande gesto de Lutero de afixar as históricas 95 Teses nos portões da Igreja de Wittenberg. Noventa e cinco teses essas que traduzem e denunciam o percurso fideísta de Lutero.

Embora gestos contemporâneos, julgamos ser um juízo apressado afirmar-se que a pregação das indulgências é a causa da afixação das teses. Daí, pensarmos serem necessárias algumas rectificações a tal pressuposto.

Neste passo da exposição, sigamos o raciocínio de Lucien Febvre e recordemos os factos.

Com a idade de 24 anos, a 30 de Agosto de 1513, Alberto de Brandeburgo é eleito Arcebispo de Magdeburgo, tendo sido proposto, a 9 de Setembro desse mesmo ano, para administrador da diocese pelo cabido de Halberstadt, ou seja, para assumir também o bispado de Halberstadt. Não nos admire nem a idade nem a sobreposição de funções e cargos. Na época, tal situação não é escandalosa, pela normalidade de que se revestia. Mas no ano seguinte (a 9 de Janeiro de 1514), morre o Arcebispo de Mogúncia (Mayenz) e Alberto consegue obter a eleição para o cargo. Recordemos, entretanto, que o Arcebispo de Mogúncia fazia parte do Colégio Eleitoral Alemão, órgão de eleição do Imperador do Sacro-Império. A sempre necessária aprovação da Cúria Papal romana surge na segunda metade desse ano de 1514. Para tal o nóvel Arcebispo terá de pagar um tributo relativamente elevado à Santa Sé – qualquer coisa como 24.000 ducados. E é nesse quadro que tem lugar a preparação das indulgências. Com efeito, pela Bula de 1515, as indulgências começam a ser pregadas a partir de 1517. Após diversos arranjos circunstanciais , ficou estabelecido que, descontada a parte destinada ao Imperador Maximiliano, tanto o Papa como o Arcebispo Alberto receberiam cada um 50% da receita apurada. No fundo, negócio rendoso e proveitoso para todos os intervenientes. O Papa poderia financiar a reconstrução da Basílica de S. Pedro em Roma e Alberto poderia pagar a dívida que tinha em aberto para com o banqueiro Fugger, pelo empréstimo por este feito para financiar e custear todas as despesas com o processo de investidura do Arcebispo Alberto de Magdeburgo e de Mongúcia.

É justo que se queira saber em que consistia tal pregação. Deixemos Lucien Febvre falar uma vez mais.

Pregava-se a remissão plena dos pecados daqueles que, arrependidos, contribuíssem com uma oferta para a caixa das indulgências. Estas estavam tabeladas de acordo com a classe social e a fortuna pessoal de cada penitente.

Pregava-se a remissão plena dos pecados do Purgatório, através da aquisição de ofertas tarifadas.

Pregava-se o direito de escolher um confessor privado, com o poder de conceder ao penitente a indulgência plena dos seus pecados.

Mas, em pormenor, em que consistiam as indulgências? Vejamos o que diz Richard Stauffer a esse respeito:

A Igreja ensinava que a pena temporal devida pelos pecados já perdoados podia ser remida não só por meio de reparações, sacramentais ou não, mas também por meio da indulgência. Sem excluir a penitência, a Igreja considerava que recorrendo ao tesouro dos méritos constituídos pelas obras super-rogatórias dos santos, podia conceder a remissão de pena ao pecador perdoado. A partir de Sisto IV (1476), podiam-se comprar indulgências a favor das almas do Purgatório.

Por este passo, se vê que a venda das indulgências por Tetzel não infringia nenhuma norma da Igreja. Mas o ponto fundamental das indulgências é o facto de partirem do pressuposto de que o pecador tinha de sofrer algum tipo de pena, de castigo, pelo pecado cometido (e entretanto perdoado). Na prática, o que acontecia era que a culpa do pecado e o respectivo faltoso eram perdoados por Deus havendo, no entanto, necessidade de o pecador cumprir uma satisfação temporal aqui nesta vida ou além no Purgatório. Essa satisfação consistia numa peregrinação ou na realização de uma boa obra. O pecador, no entanto, podia ficar liberto do castigo temporal desse pecado, mediante a compra da indulgência. A indulgência era, pois, uma espécie de cheque passado sobre uma conta de boas obras excedentárias de Jesus Cristo ou dos santos a favor do pecador.

São estes documentos, pois, que Tetzel põe à venda em 1517. Diga-se de passagem que o Dominicano utilizava o que podemos considerar de elaborados métodos de “marketing” espiritual. Dele se diz ter afirmado que logo que a moeda da compra de uma indulgência tocar o fundo da caixa, uma alma é liberta do Purgatório…

Em jeito de comentário a esta doutrina da Igreja, podemos dizer que, ao fazer distinções subtis entre o efeito do pecado e o pecado em si mesmo, o Papado acaba por retirar valor ao sacrifício expiatório de Cristo, eliminando deste modo a própria segurança do crente. Este, no fundo, anseia pela segurança espiritual que esse mesmo sacrifício lhe confere e daí agarrar-se à tábua de salvação prefigurada nas indulgências. Não nos esqueçamos também que estamos em época que sofre os efeitos de toda uma angústia espiritual colectiva, o que explica sobremaneira a aceitação tão imediata da pregação das indulgências.

Angústia essa bem patente no conceito do Dies Irae, momento em que o Homem estará completamente só perante o Deus justo e castigador. Nem santos, nem Virgem para o ajudar. Daí o consolo e a ajuda que a doutrina luterana da justificação pela fé vem representar para tantas almas angustiadas.

A 31 de Outubro de 1517 – data célebre e de todos conhecida – Lutero afixa as suas 95 Teses. Daí pensar-se que a pregação de Tetzel vem precipitar os acontecimentos, forçando ou provocando Lutero a uma resposta. Emotiva de preferência. Nada de mais errado, quanto a nós. É errado também admitir ser a pregação de Tetzel o que leva Lutero a não partilhar a doutrina tradicional da Igreja da época.

Tomemos em consideração alguns pequenos detalhes.

Lutero afixa as teses não a 31 de Outubro mas na véspera do Dia de Todos os Santos! Data importante por ser nesse dia – 1 de Novembro – que, todos os anos, os devotos peregrinavam em multidão, rumo a Wittenberg, em busca do almejado perdão. Momento alto de piedade e de negócio também. Frederico-o-Sábio, senhor de Wittenberg, acumulara na igreja do castelo cerca de 17.500 relíquias diversas, cuja veneração garantia 128.000 anos de indulgências. Ora, já nessa altura, Lutero desaprovava não só essa veneração como também o privilégio concedido a esta igreja de distribuir as indulgências da porciúncula (isto é, da pena e da culpa). Precisamente em cada festividade de Todos os Santos!…

Por outro lado, verificamos que havia pelo menos um ano, já Lutero defendia em público, o teor das suas 95 Teses. Com efeito, a 31 de Outubro de 1516, encontramos o Frade agostinho a pregar um sermão sobre as indulgências…

Ainda em 1516, no mês de Setembro, escreve e discute as teses de viribus et voluntate dominis sine gratia. Título por si só suficientemente elucidativo.

Finalmente, a 4 de Setembro de 1517, envia a um irmão agostinho, de nome Gunther, não as 95 mas as 97 teses, em muito idênticas às 95 do mês seguinte.

Não é assim escandaloso admitir que Lutero terá “ignorado” Tetzel, já que todos os dados indicam que, mesmo sem Tetzel, as 95 Teses teriam visto a luz do dia. A pregação do Dominicano terá funcionado como pretexto ou como ocasião mas nunca como o elemento que leva Lutero a sintetizar o seu pensamento, nunca como uma reacção emotiva e extemporânea perante um flagrante escândalo.

As 95 Teses não são fruto de um trabalho de momento, não são uma resposta emotiva e momentânea, fruto de uma não-reflexão. Não! 31 de Outubro é um bom marco na História da Humanidade porque representa e apresenta um Lutero já luterano, um Lutero que emite uma opinião ponderada e reflectida. As 95 Teses são o culminar de toda uma elaboração anterior e que reflectem bem a sua descoberta, anos antes, da doutrina revolucionária e libertadora da justificação pela fé.

Ao contrário de outros documentos, em que a emotividade de Lutero está bem patente, estas Teses não revelam um Lutero colérico ou emocionado. São antes um apelo calmo e sossegado de uma alma turbulenta e atribulada finalmente em paz consigo e com o seu Deus. São um convite à análise e à discussão teológica de importantes e fundamentais de artigos de fé.

Qual o conteúdo das Teses? Vejamo-las em resumo:

1 – 4 – O Cristão faz penitência durante toda a sua vida.

5 – 7 – Só Deus pode perdoar pecados.

8 – 29 – No Purgatório, o Papa não tem direito de perdoar castigos pois com a morte do Homem, acaba para a Igreja a possibilidade de castigar ou livrar as almas.

30 – 40 – Trata das indulgências dos vivos.

41 – 51 – Compara as indulgências às boas obras.

52 – 80 – Compara a prédica das indulgências à prédica do Evangelho. O verdadeiro tesouro da Igreja é o Evangelho.

81 – 91 – Cita argumentos do povo contra as indulgências como, por exemplo, se o Papado tem poder para livrar certas almas do Purgatório, qual a razão de não acabar de vez com esse mesmo Purgatório?

92 – 95 – Contrasta a religião das indulgências com a própria religião: o Cristão não confia nas indulgências mas está disposto a seguir o seu Mestre.

Não se sabe a data exacta em que ocorreu a grande descoberta de Lutero: o princípio da fé e da justificação pela fé. Designada por alguns como experiência da Torre, tal experiência terá ocorrido entre 1512 e 1516. Até então, é um Lutero em luta consigo e com Deus que vamos encontrar. Um Lutero angustiado e lutando ferozmente pela sua salvação. Um Lutero para quem, a dada altura, o próprio nome de Deus lhe soa como odioso…

Influenciado pelos místicos, pela devotio moderna, por Guilherme de Occam, via Gabriel Viel e pela teologia medieval, Lutero encontrava-se num beco sem saída, numa luta desesperada e desesperante consigo mesmo. E porquê? Porque ao contrário de S. Agostinho, a teologia medieval defendia a ideia de que a vontade do Homem não estava completamente corrompida. Daí, ser-lhe possível, através das suas acções através das suas boas obras, atingir e merecer os favores da graça de Deus. Influenciado pelas posições occamistas, Lutero debate-se com contradições resultantes do choque entre as doutrinas occamistas e o que ele constatava na sua própria vida, pelos seus esforços das boas obras. Com efeito, Occam defendia que, sem a graça, o Homem pode evitar todos os pecados mortais, mediante os esforços das suas boas obras. Ora, Lutero, apesar de todos os seus esforços e tentativas, sentia-se longe e indigno de receber os favores da graça divina.

Há, pois, assim, um profundo conflito espiritual em Lutero que só vai terminar quando ele reinterpreta a uma nova luz a passagem de Romanos 1:17 : porque no Evangelho se descobre a justiça de Deus.

É, pois, esta grande descoberta de Lutero que está na base de toda a evolução posterior do seu pensamento e da sua teologia. É esta descoberta da fé que vai sustentar todas as suas posteriores posições. Retire-se-lhe a doutrina da fé e todo o seu sistema fica sem sustentáculo.

E em que consistia essa grande descoberta? Ouçamos as suas palavras:

A justiça de Deus é a justiça que Deus dá e pela qual o justo viverá se tem fé. O sentido de Romanos 1:17 é pois: o Evangelho manifesta a justiça de Deus, não a Sua justiça activa mas sim passiva, pelo meio do qual Deus, no Seu amor e misericórdia, pega em cada um de nós e nos torna justos, através da fé.

E a diferença entre Lutero e a teologia medieval no tocante à justificação pela fé está nisto:

Para os teólogos medievais, a justificação era entendida como um prémio atribuído por Deus aos méritos do crente esforçado em se apresentar como justo perante Deus, mediante as suas boas obras.

Para Lutero, ao contrário, o Homem, por mais esforços que faça é e permanecerá pecador, logo, indigno da presença de Deus. Só a graça e a misericórdia podem fazer que a justiça de Deus seja imputada ao pecador. Deus, por um acto de misericórdia, perdoa o pecador e considera-o como justo, por amor de Cristo. Ou, por outras palavras, Cristo interpõe-se entre Deus e o pecador e, agora, Deus não vê mais o pecador mas vê Cristo em seu lugar.

Atingir tal estatuto, tal posição só é possível por meio da fé, só é possível por meio de uma acção, de uma obra exterior ao próprio Homem. Daí, dizer-se que qualquer obre realizada pelo Homem, por muito boa ou melhor que seja não o vai levar a atingir esta posição de justificado. Dai dizer-se também que o único

meio de o pecador ser aceite por Deus ser por intermédio de Cristo que Se ofereceu ao Justo Juiz como sacrifício válido, vicário e suficiente por todos quantos são pecadores.

Há, então, um apelo ao abandono pessoal à graça de Deus, há um apelo a uma entrega pessoal aos desígnios de Deus, há um apelo ao abrir mão da vontade humana. O Homem é, assim, convidado a ceder a sua vontade à vontade de Deus. Porque só a partir do momento que o Homem pecador reconhece a sua incapacidade e impotência e se abandona pela fé na misericórdia divina, alcança o dom da justificação pela fé. Sim, porque – repitamo-lo e deixemo-lo bem claro – para Lutero, a justificação pela fé, a mais almejada e ansiada situação é e permanecerá sempre um dom, uma dádiva de Deus veiculada pela fé através dos exclusivos méritos do sacrifício expiatório e vicário de Cristo. Há, então, o que Lutero chama de Palavra (divina) de promessa, sustentáculo inamovível da fé. A fé toma essa Palavra por garantia e por certeza.

Agora, fácil se nos torna compreender que Lutero não podia aceitar a teologia das indulgências, muito menos o mercantilismo de Tetzel que terá horrorizado o Reformador, ao assumir e defender a não necessidade do arrependimento para a obtenção do perdão dos pecados, prémio prometido pelas indulgências. Com efeito, para Lutero, o arrependimento é essencial para a justificação fazer efeito ou melhor, para a justificação entrar na posse do pecador. A justificação está garantida, está aí, obtém-se pelo exercício da fé mas só se torna real e actuante a partir do momento em que o pecador se reconhece como tal, a partir do momento em que o pecador se arrepende do seu pecado.

Para Lutero, a fé não se identifica com os nossos esforços ou tentativas de criar em nós uma atitude de “pensamento positivo” que nos faculte coragem psicológica capaz de arrostar com as dificuldades da vida.

Lutero parte da magnifica definição de fé dada pelo autor da Epístola aos Hebreus capítulo 11 versículo 1: A fé é o firme fundamento (ou certeza) das coisas que se não vêem. E a partir deste ponto, elabora todo um extraordinário pensamento das virtualidades e potencialidades da fé.

A fé é, então, em primeiro lugar, um abandono pessoal à promessa de Deus e deixar que ela nos guie, é o abandono a uma palavra de promessa que funciona com o único garante de que o nosso abandono (que implica uma vida – a nossa) não é vão mas a única atitude correcta a tomar. É que essa dependência da Palavra é a única forma de criar uma relação directa entre Deus e o Homem, a única possibilidade de sentar à mesma mesa, sem intermediários, os dois grandes interlocutores e interessados neste grande drama cósmico que é a salvação do Homem.

Efectivamente, a forma mais correcta mais eficaz de o Homem ver o seu drama resolvido é colocar-se face a face perante Deu, é ambos os contendores apresentarem-se tal como são e acertarem entre si as contas pendentes.

E é aqui que se levanta o problema da justificação. Sendo pecador, o Homem não pode apresentar-se perante Deus. Há que ser justo. E a única forma de tal acontecer é erradicar de si todo e qualquer traço de injustiça, de pecado. É-lhe necessário um intermediário intrínseca e essencialmente justo, que lhe impute essa mesma justiça. Ora, o único que lhe fornece tal garantia é Cristo e a Sua justiça. Então, Cristo surge como aquele que leva Deus a imputar ao pecador a própria justiça divina já que Cristo, sendo justo, cumpriu também toda a justiça divina. Agora, embora ainda só perante Deus, o Homem paradoxalmente deixa de estar só. Por algum motivo – ainda segundo Lutero (e segundo a Escritura) – Cristo é chamado Emanuel, Deus connosco. E paradoxalmente porque, tendo de se apresentar só perante Deus, não vai na sua própria força ou condição mas sim como que revestido dos méritos de Cristo que aceita pela fé.

Esta posição leva a uma conclusão: a partir de agora, o Homem não necessita de intermediários sejam eles sacramentais sejam eles sacerdotais. O seu sacerdote passa a ser o Cristo e ele próprio. O Homem adquire a possibilidade de ser o seu sacerdote, na medida em que se pode apresentar perante Deus com a garantia do sacrifício de Cristo.

Há, então aqui, uma novidade libertadora na doutrina da justificação pela fé: é que ao pecador é imputada não a sua justiça mas a justiça de Cristo. Assim, Deus por um acto de misericórdia, perdoa-lhe o seu pecado e, por amor de Cristo, considera justo o pecador, considera-o digno de entrar na Sua presença. Daí que esta justiça atribuída não seja produto ou realização humana mas sim uma justiça estranha, alheia ao Homem, a justiça do próprio Cristo, do próprio Deus.

A justificação é, assim, como já dissemos, passiva e não activa. Tal justiça alheia exige do Homem um acto de fé, um acto de aceitação da Palavra de promessa divina, um acto de abandono. Isto leva a que, durante toda a sua vida – simul peccator, simul iustus – o Homem tenha de exercer e recorrer à fé, que o mesmo é dizer, tem de depender de Deus. Há, pois, a entrega da vontade própria e o reconhecimento de que a vontade do Homem, para produzir bons resultados, deve estar submetida e submissa à vontade da fonte do Bem Supremo. E tudo isto, repita-se, porque há uma Palavra divina de promessa, base e sustentáculo da fé.

Mas Lutero vai mais longe. É que para ele não basta aceitar a justificação em fé. É necessário ela ser aceite com fé. Não basta aceitar ou compreender a afirmação da base de apoio da justificação. Não basta um reconhecimento intelectual de que a doutrina funciona nestes termos. É necessário que o Homem, uma vez reconhecida a mecânica da doutrina, personalize em si mesmo essa mesma justificação. Cristo só Se torna minha justificação a partir do momento em que eu O personalize em mim, a partir do momento em que me aproprio d’Ele e O faço meu.

Tenho de aceitar que as coisas não só aconteceram “por causa de mim” mas também “para mim”. Ou, por outras palavras, a fé não é um conceito estático, passivo mas antes dinâmico e activo. Ela está sempre em movimento em acção.

A noção que Lutero tem de fé leva-o a fazer afirmações que surgem como revolucionárias ou mesmo como heréticas. E cito duas:

A fé cria a deidade em nós.

Aparentemente, é a negação do princípio bíblico da existência objectiva de Deus. Aparentemente, é o inverso da posição bíblica de que Deus criou o Homem à Sua imagem e semelhança. Aparentemente, é o reconhecimento de que o Homem cria Deus à semelhança humana. Só aparentemente, porém. Porque Lutero é um estrénuo defensor da objectividade de Deus, da existência de um Deus exterior e superior ao Homem. Mas Lutero defende também – vestígios da influência occamista – que este Deus é um Deus oculto mas que Se revela ao Homem. E o homem só tem consciência e conhecimento de que há um Deus porque Deus, de Sua livre e espontânea vontade, decidiu revelar-Se à criatura. E revela-Se fundamentalmente através da Palavra. Deus é um Deus que comunica e Se comunica. Mas este Deus majestoso e transcendente só Se realiza em cada um de nós pela fé. Então, sem a fé a Palavra, a Scriptura não é mais do que um conjunto de sons ou de pensamentos mas nela não está presente Deus. Sem a fé, não há lugar para Deus no coração do Homem. E onde Deus não está, ai não existe, porque se Lhe é negada a existência. Por isso, dizíamos no princípio que sem a fides, que sem a fé, tanto a Scriptura como a gratia não são nem podem ser entendidas.

Só através da fé Deus Se torna real em nós e podemos então entrar nas profundezas da Sua graça.

A outra frase na mesma linha da anterior, é:

Sem fé, perde a Sua justiça, a Sua riqueza e não tem majestade onde não há fé.

Efectivamente, se a fé, não a fé-esperança mas a fé-abandono-e-certeza-na-Palavra, se essa fé não estiver presente não é possível o Homem aperceber-se de todos os atributos da deidade, por lhe faltarem pontos de referência. O Homem poderá detectar e sentir até os efeitos desses atributos mas nunca os reconhecerá e atribuirá a Deus, porque não tem fé. É que a fé implica necessariamente o reconhecimento de Deus e só quando nos abandonamos à Sua Palavra, O reconhecemos actuante, em poder e majestade, na plena posse dos Seus atributos.

Há, assim, uma personalização da fé. A fé terá de ser um acto intrinsecamente pessoal. Ninguém pode crer por outro. Só eu, como indivíduo, é que tenho de me apropriar da fé. A relação entre Deus e o Homem constitui-se numa base individual e pessoal. Deus lida fundamentalmente com indivíduos, com pessoas.

Esta posição tem consequências tremendas na História da Humanidade. É não apenas e só um apelo ao individualismo mas o reerguer da dignidade humana. O Homem não mais necessita de intermediários humanos ou institucionais, o Homem não mais necessita da protecção alheia. É-lhe reconhecida maturidade suficiente para lidar faca a face com o transcendente. Temos também o reconhecimento implícito da liberdade humana, liberdade essa estendida ao quadro da fé.

Mas ao dizermos que a fé é sempre em referência à Palavra da promessa, ao que Lutero chama de theologia crucis, entendemos que a fé pode gerar situações de conflito quer com a nossa experiência pessoal, quer com a realidade circundante.

É que, para Lutero, a garantia do crente não está nas circunstâncias, na realidade circundante. A sua garantia é e permanece sempre a promessa da Palavra, a Palavra da promessa. É que, muitas vezes, a fé vai contra toda a expectativa, vai contra todos os dados tidos como adquiridos e garantidos, a fé vai contra a realidade que se nos apresenta, a fé vai contra os ditos “factos”. Só que a fé se move numa outra dimensão, numa dimensão que não a da razão a única que pode explicar os “factos”. É que a fé baseia-se na Palavra de um Deus que sabe o futuro desde o presente enquanto nós, seres humanos, nos movemos apenas no quadro do presente não vendo, assim, o futuro, não vendo, assim, o fim das dificuldades presentes.

Há, então, uma fé que não parte de uma experiência prévia mas sim de uma promessa que rompe o presente e penetra no futuro. Daí que a fé, a confiança tenha de ser incondicional. Daí que, mesmo em oposição, a fé deve permanecer porque, afinal, no meio das maiores tormentas, é a única bóia de salvação que resta. Mas uma bóia que não é apenas uma bóia, vogando ao sabor das correntes, vogando ao sabor das circunstâncias. Não! Essa bóia está ancorada e segura em algo em algo de inamovível – o próprio Deus.

E à medida que a fé é posta à prova, ele testa-se a si própria, ela vai passando de experiência em experiência e vai-se enriquecendo porque a fé acaba por ir enriquecendo a nossa própria experiência pessoal.

Esta posição tem uma relevância muito especial porque explica muitas atitudes que, de outro modo, ficariam sem resposta ou explicação.

É esta fé de Lutero que explica, por exemplo, o seu acto de afixação das 95 Teses. Embora na altura, o seu alvo não fosse a reforma da Igreja, Lutero prefere antes que se reformem as consciências individuais. E é com a exaltação da sua descoberta – a justificação pela fé – que Lutero acaba por dar testemunho de um homem que se entregara de corpo e alma à Palavra de Deus, a Quem entregara todas as suas limitações e fraquezas. Lutero avança, nessa ocasião, como em muitas outras, estribado não na sua força natural ou pessoal mas na força que lhe advém da confiança obtida pela sua fé em acção.

Analisando a Alemanha da época, com todos os condicionalismos políticos, económicos e religiosos, fácil é concluir que, como diz Lucien Febvre, em tal país, fazer cumprir a Reforma, era empresa condenada a priori. E era-o porque era necessário conciliar bastos interesses, muitos deles opostos.

Quer dizer, a experiência, a razão desaconselhava a utilização da Alemanha imperial quinhentista como palco de uma Reforma profunda na Igreja. Pela razão e pela experiência, a Alemanha nem sequer seria considerada como hipótese.

Mas aqui entra a fé. Contra toda a expectativa, contra todas as evidências, Lutero avança e despoleta a crise. E de acção em acção, de experiência em experiência, a fé de Lutero fortalece-se cada vez mais.

E não tenhamos dúvidas quanto a isso. O episódio de Worms é significativo e elucidativo.

Quando se põe a caminho de Worms, Lutero parte como para o martírio. O salvo conduto não é garantia suficiente de salvação. Recordemos João Huss! Aquando de Worms, Lutero havia sido já considerado de herético e os seus livros haviam sido condenados à fogueira. Mas conta toda a evidência (e aconselhamento), Lutero avança, em nome da fé. Foi esta fé, fundamentada na Palavra, que o movimentou, que o guiou. Foi esta fé fundamentada na Palavra que abriu à Europa novas e profundas perspectivas.

Mas a sua fé manifesta-se em outras ocasiões. Vejam-se os casos dos casamento dos monges, das freiras e dos padres e o caso da comunhão das duas espécies. Lutero não os havia considerado até então. Nunca se tinha debruçado sobre o assunto, em termos de mudança do estipulado pela Tradição ou pelo costume. Mas quando é solicitado a dar a sua opinião e posição, Lutero reflecte e vai procurar na fonte da sua fé – a Palavra – a resposta que todos buscam e exigem. Isto é, Lutero procura dar uma resposta de fé e não uma resposta da razão, da lógica. A preocupação de Lutero é procurar que todas as questões da vida do Homem sejam solucionadas no quadro da fé.

Porque, acima de tudo, Lutero preza que o homem cristão, o homem da justificação da fé, viva por essa mesma fé. O seu alvo não é conciliar a fé com as circunstâncias. O mais que se poderá dizer é que ele procurará concilias as circunstâncias com a fé. Ou, pelo menos, conceder ao homem de fé uma resposta que o ajude a enquadrar-se nas circunstâncias.

Isso explica a sua recusa em enquadrar a liberdade cristã, fruto do exercício da fé, com qualquer outro tipo de liberdade.

A liberdade cristã deve permanecer sempre como uma realização da fé e não como um arranjo circunstancial ou contemporização com ideias e movimentos que, ainda que com muito de apelo cristão, têm uma base que não a fé.

Daí o seu choque com o nacionalismo dos príncipes alemães e a sua recusa de identificação com Ulrich von Hutten.

Lembremo-nos que havia príncipes cavaleiros que viam em Lutero a personificação de um chefe espiritual das forças alemãs nacionalistas e que o queriam como tal. E vem-nos à lembrança outra recusa em tudo idêntica, a de Cristo, ao rejeitar qualquer identificação de Messias político, como pretendiam os Zelotas e outros nacionalistas hebreus de então.

Mas Lutero não está interessado em tal identificação. Como não está também interessado em outras identificações, como o socialismo campesino de Munzer, como o humanismo cristão de Erasmos.

É que nenhuma dessas liberdades é sinónimo de liberdade cristã.

Porque a liberdade cristã que Lutero defende é uma liberdade cujas raízes e fundamentos se encontram na Palavra da promessa, único garante do motor que deve fazer avançar o cristão – a fé.

Jorge Pinheiro

 
 

O TRANSTORNO DO PÂNICO NO PROFETA ELIAS

O perfil da personalidade de Elias traçado desde o seu primeiro aparecimento na história, no 1º Livro de Reis, é o de um homem tornado rijo pela natureza.

A intervenção de Elias na história de Israel, confrontando a idolatria, o sincretismo religioso, o relativismo ético, a apostasia e as ruínas da moral, havia sido verbalizada por Deus quando lhe ordenou:

«Retira-te daqui, vai para a banda do oriente, e esconde-te junto à torrente de Queribe, fronteira ao Jordão»

Na perspectiva profética, todo o ministério de Elias iria iniciar-se numa estruturação da dependência de Deus, fortalecendo-se no rigor da vida «monástica», solitário, integrado na natureza agreste.

Habitaria no deserto e construiria sua tenda junto ao Jordão, segundo escreveu S.Jerónimo na sua Ep.58 ad Paulinum. Viveria Elias dos cuidados divinos ao lado do ribeiro de Carit, na Transjordânia, actual reino Hachemita da Jordânia. Os corvos providenciar-lhe-iam os alimentos, pão e carne pela manhã e ao cair da noite.

Beberia água da torrente. Elias, segundo uma tradição religiosa remota, seria não o fundador em sentido estricto da vida monástica, mas pelo menos o seu precursor.

Se pretendessemos adpatar a sua vida à futura poesia árabe, com alguma liberdade poética díriamos que a relação de Elias com a natureza seria como a da ave chamada Garça (cujo nome em árabe é masculino e significa «Soberano Melancólico»), e cujo poema reza assim:

«Minha miséria prefere a vazia linha do mar entre as lagunas, onde ninguém ouve o meu canto. Triste, melancólico, fico à beira do mar salgado, pensativamente; o coração sangrando de desejo pela água».

No entanto, Elias foi um homem de acção. Na rigidez do seu enfrentamento com a sociedade e a adulterada estrutura religiosa do Reino de Israel, isto é, no seu confronto com a rainha Jezabel e os 450 profetas de Baal e os 400 de Azera, na sua missão de levar o povo à adoração genuína ao único Deus, Elias exerceu do poder espiritual que o Senhor lhe conferiu tudo para além das funções normais de um sumo-sacerdote e de um profeta, exerceu-o sem margens e in limite. Exerceu nas suas funções o Poder de Deus, no próprio plano do sobrenatural.

«Eis que está aí Elias» é uma afirmação do próprio, consciente da missão para a qual fora investido por Deus, fazendo uso da relação espiritual de poder que seu nome já possuía com Jeová, uma vez que Elias significa «Javé é Deus». O profeta das vestes de pele de camelo, dotado de um temperamento impetuoso, romântico e ardente, afirmava Deus em si mesmo.

Mas o vigor do profeta Elias, o seu trabalho institucional, por um lado conservador, revivalista por outro, conducente a um Avivamento espiritual em Israel, não faria supor uma quebra na sua dinâmica de fortaleza física e psicológica.

O profeta Elias tinha superado a instituição da idolatria, do sincretismo religioso, havia mantido intacta a Adoração a Iavé, a sua Fé no Deus Altíssimo superara todas as circunstâncias.

Trabalhara com a matéria, digamos com os materiais do sobrenatural (as pedras do altar, a lenha, o rego em volta do altar, a água, o novilho para o holocausto) e tudo isso levou pela Fé ao alto patamar do milagre que lemos no Livro I de Reis, 18,37,38.

Conhecemos o seu contributo para a Galeria dos Hérois da Fé da Carta aos Hebreus, «homens dos quais o mundo não era digno, errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra».

Mas agora parecia não poder superar-se a si próprio e aos seus temores.

O Transtorno do Pânico

O início da narrativa de I Reis 19, abre sobre a situação física e psicológica do profeta Elias. O texto sagrado não espiritualiza essa fragilidade natural da vida dos homens e dá-nos a real imagem de um Servo de Deus «temendo» a perfídia da rainha Jezabel e que «se levanta», isto é, inicia uma fuga «para salvar a sua vida». Como Deus compreende, mesmo no espírito da Sua Palavra, a sua criatura mais excelente, o Homem!

A longa caminhada que Elias começou não foi no sentido de voltar as costas a Deus, ao contrário, rumou ao monte de Horebe, que o Velho Testamento tem o cuidado de salientar como o monte de Deus.

O refúgio de Elias numa caverna, em Horebe, foi o efeito da conjuntura religiosa e social adversa pelo arrojo do profeta, a sua luta titânica contra os profetas de Baal para preservar a genuinidade e identidade única do Deus de Israel.

As palavras contemporâneas para a sua atitude de fugitivo, quando havia sido um Herói, adjectivariam o profeta como desanimado e deprimido. Na área mais rigorosa da ciência médica, diriam que se trata de uma síndrome, designadamente o chamado Transtorno do Pânico, designação que obviamente Elias desconhecia em absoluto.

Sentiu, no entanto, todos os seus efeitos na alma. A ansiedade, o stress, o desânimo, a hodierna depressão, o desejo de vanishing act – o desaparecer de vista -, ou até o desejo de morrer, mas não de suicídio (I Rs.19,4).

Num registo moderno, Elias seria alegadamente caracterizado como uma pessoa extremamente responsável, grande produtividade a nível profissional, assumindo sempre uma carga excessiva, tomando à sua responsabilidade os outros, exigente consigo mesmo, preocupado em excesso com os problemas quotidianos, perfeccionista e com alto dose de criatividade.

Encurtando palavras que são pela sua própria natureza dos nossos dias, e cingindo-me apenas ao múnus espiritual do profeta, Elias, não obstante haver um rei, foi não apenas o líder do Povo de Israel, naquele momento de problemas e carências nacionais, mas também foi o condutor do Culto Divino que o povo devia praticar.

Na contextualização de todos os factos contidos na narrativa, não é difícil de entender o desmoronamento físico e psicológico do profeta. A sua estatura espiritual e moral, de par com a sua estrutura física construída na dureza, ao contrário do que faria supor, pelo que representavam abalaram Elias precisamente pelo seu zelo, pela sua entrega, pela sua consagração ao Deus de Israel.

Nesta linha de pensamento, tendente a alargá-lo a situações contemporâneas de que temos conhecimento e experiência pessoal, veio à minha memória que li um livro muito a propósito de tudo isso, obra fundamental para o entendimento bíblico e correcto da depressão. Fui à estante buscá-lo. «Depressão e Graça», de Judite Kemp, que a dado passo afirma: «A história contemporanea da igreja também relata o mesmo tipo de sofrimento enfrentado por homens e mulheres de Deus. Veja alguns exemplos: John Bunyan, autor de O Peregrino; Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante; Hudson Taylor, o grande missionário que não escondia suas experiências de andar com Deus no escuro; George Mueller, missionário inglês usado por Deus mesmo em meio a crise de depressão.»

Durante o percurso da leitura desta citação, em que a autora referencia também Amy Carmichael, missionária, C.S.Lewis, escritor e Charles Spurgeon, pregador, não é fácil compreender o que o exemplo seguinte nos aporta, que «até mesmo Nosso Senhor Jesus se angustiou: «A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal», quando contemplou o alto custo da obediência à vontade do Pai» É reconfortante saber isso.

O círculo alarga-se nos nossos dias pelas contextualizações da história, das exigências actuais que implicam um esforço cristão de mais moral, mais ética, mais Verdade contra os relativismos pós-modernos, as pressões que o estado do Mundo exerce sobre o crente, anónimo, e os Servos de Deus, enquanto tal, líderes de comunidades cristãs.

Até ao chamado de transtorno do pânico vai porém um longo caminho in limite. Contudo, seremos nós, crentes, trabalhadores na Igreja, obreiros, pastores, escritores, etc., membros da Comunidade Evangélica, melhores do que Elias?

Somos, todos nós, de alguma forma, vulneráveis, sendo preciso recobrar o ânimo, a consagração, a fortaleza que decorre do que Deus confidenciou ao apóstolo Paulo, e cuja base de aplicação parece decorrer da nossa fragilidade: «A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.» (2 Co 12, 9)

João Tomaz Parreira

 
 

Como Jesus vê as Igrejas «Pérgamo»

 

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Como Jesus vê as igrejas!

Pérgamo

 

 

 

 

Pérgamo significa «Elevado». Segundo Noel, esta igreja estava localizada numa das cidades mais fanáticas e pagãs.

Os cristãos, para se manterem fiéis, tiveram de armar-se de valor, porque viviam em constante perigo de virem a ser mortos por amor a Cristo. E o Senhor mesmo dá testemunho de Antipas (provavelmente um dos pastores da igreja) sofreu o martírio pela sua fidelidade ao Evangelho.

 

Apocalipse 2:12

«E ao anjo que está em Pérgamo, escreve: Isto diz Aquele que tem a espada aguda de dois fios:

Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é trono de satanás, e reténs a O eu nome, e não negaste a Minha fé, ainda nos dias de Antipas Minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde satanás habita.

Mas umas poucas de coisas tenho contra ti: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balac a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.

Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaitas, o que Eu aborreço.

Arrepende-te, pois, quando não, em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei Eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.»

 

Temos aqui uma igreja que vivia à sombra do trono de satanás! Esta expressão «trono de satanás» tem deixado os comentadores perplexos.

Será que as instituições satânicas em Pérgamo são mais perigosas do que em outra qualquer das cidades pagãs do mundo antigo?

O que nos deixa perplexos não é mais que satanás tenha um trono em Pérgamo, mas antes o facto de que tenha um trono; e quando esse trono se encontra numa cidade terrena, a sua presença ali dificulta a existência da igreja de Cristo.

O trono de satanás está, onde reina a idolatria e a superstição.

Toda a pompa e cerimonialismo, seja pagão ou pseudo cristão, todas as formalidades ritualistas, todos os paramentos, incenso, crucifixos, imagens, procissões, água benta, os papas e a sua hierarquia, santuários, as chamadas relíquias dos santos, encantamentos, superstições tudo o que veio da idolatria babilónica, transferido depois para o Império Romano e hoje se encontra misturado com o genuíno cristianismo, outra coisa não é senão «o trono de satanás».

Todo o falso cristianismo entroniza satanás.

Por que, pois, Pérgamo é designada como sendo a cidade onde assentava o trono de satanás?

É que a igreja fundada por satanás começou paulatinamente. Primeiro por feitos, os quais foram depois transformados em doutrinas.

A Carta de Éfeso, menciona as obras dos nicolaitas, na Carta de Pérgamo essas obras lá haviam assumido corpo de doutrina, e, por fim, atingiu o seu pleno desenvolvimento em Tiatira.

Foi baseada nessas doutrinas (que tiveram início em Pérgamo), que Jezabel conseguiu corromper a Igreja em Tiatira.

O cristianismo adulterado veio a converter-se, ao longo  dos séculos, no algoz dos cristãos, e voltará a sê-lo novamente. Nos países comunistas a «Igreja Subterrânea» é perseguida pelos cristãos livres, que gozam de liberdade de reunião de culto. Sem dúvida que virá a ser instrumento de satanás na perseguição aos santos quando da hora da Tribulação.

O Senhor louvou a igreja pela sua coragem, demonstrada no fogo da perseguição que sofrera nos dias de Antipas. Para além deste aspecto favorável, outras coisas existiam no meio da igreja, que muito ofendiam ao Senhor, a ajuizar pelas Suas palavras «Mas umas poucas de coisas tenho contra ti…» (v.14).

Entre essas coisas se faz menção da doutrina de Balaão. Quem era Balaão? Um vidente ou profeta, filho de Beor que residia em Petor, na Mesopotânia. (Números 22:5)

Por instâncias de Balac, rei dos Moabitas, foi ele alugado para amaldiçoar os Israelitas, aos quais o rei temia.

Todavia, e por instrução e impulso divino, Balaão os abençoou, predizendo de maneira assaz brilhante, a grandeza futura e Israel. Estas são algumas das suas principais profecias:

 

«Vê-Lo-ei, mas não agora: contemplá-Lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacob, e um ceptro subirá de Israel…» (Números 24:17)

«Deus não é homem para que minta; nem filho do homem para que Se arrependa. Porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria? Eis que recebi mandado de abençoar: pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.» (Números 23: 19,20)

Não existe, nas profecias da Balão, nada que o possa desacreditar. Ele seguiu as instruções de Deus em tudo quanto disse. A recompensa do seu trabalho só lhe seria atribuída no caso de lançar a maldição sobre Israel.

Segundo as ideias de muita gente, tais profetas tinham o curioso costume de entregar aos deuses destruidores os inimigos antes de entrarem em combate com eles. Ao tempo os Israelitas haviam começado a conquista de Canaã; e por isso o rei Moabe, juntamente com os seus confederados, procurou suster o avanço dos israelitas. Balaão, sendo avisado por Deus, recusou as intenções de Balac, ainda que no seu coração, desejasse e amasse o prémio que lhe era oferecido, (II Pedro 2:15).

Não aceitamos, embora ele tivesse observado grandes manifestações do poder de Deus, que Balão se tivesse convertido ao Senhor, pois mais tarde vamos encontra-lo empregando vilmente todos os esforços no sentido de conseguir a destruição dos israelitas, 8Números 25:1-9), e morreu quando combatia pelos Midianitas contra aqueles que ele havia pensado amaldiçoar, (Números 31:8,16).

Até este ponto vai a doutrina do Antigo Testamento acerca deste profeta. É no Novo Testamento, porém que levamos sobre o «erro de Balaão» sobre o «a doutrina de Balaão», e sobre o «caminho de Balaão». (Judas 11: II Pedro 2:15: Apocalipse 2:14)

A doutrina de Balaão consistia de duas particularidades distintas; 

Comer coisas sacrificadas aos ídolos

Cometer prostituição

Se traduzir isto em termos compreensíveis e em relação à igreja, teremos o fabrico, uso e adoração de ídolos; e a contaminação com o mundo.

Para a Igreja, a fornicação, no sentimento espiritual, consiste no casamento com o mundo e em aceitar favores do governo humano. Por outras palavras, a doutrina de Balaão praticada por alguns dos membros da igreja de Pérgamo, consistia numa espécie de comunhão aberta com os pagãos. Era o que se pode dizer «querer estar bem com Deus e com o diabo ao mesmo tempo».

Quando se celebrava o culto cristão, aquelas pessoas acompanhavam os cristãos nas suas reuniões.

E no dia em que os pagãos celebravam as suas festividades idólatras, que degeneravam na mais grosseira imoralidade, os cristãos misturavam-se com os pagãos.

Um dia reuniam-se na Assembleia de Deus para celebrar a Ceia do Senhor, e outro dia reuniam-se com os pagãos para participarem dos seus manjares em honra a ídolos. Eram, ao mesmo tempo participantes da Mesa do Senhor e da mesa dos demónios. (I Coríntios 10:19-21)

Esta era a prática de alguns dos membros da Pérgamo, para não dizermos a de muitos cristãos dos nossos dias.

Não se pode, porém, servir a dois senhores!

Além destes dois seguidores da doutrina de Balaão, outros havia em Pérgamo que seguiam os nicolaitas.

Que extraordinário!

Uma igreja no meio da qual havia, pelo menos três correntes de doutrina e não sabemos quantos doutrinadores.

A doutrina de Cristo, a de Balaão e a dos nicolaitas!

Muito deviam estar traumatizados aqueles pobres crentes! Mas aberta ou deforma mais sofisticada, claramente do púlpito ou por um trabalho de sapa, estas doutrinas estavam lá, a corromper a alma de alguns, a estragar a unidade da igreja, a perverter a fé de muitos, embora a maioria fosse fiel ao nome de Jesus e guardasse a «Sua Fé» – o Evangelho!

Quanto aos nicolaitas, quem eram e o que ensinavam?

Admitem alguns de discípulos de um certo Nicolau não mencionado na Bíblia, cuja doutrina se podia resumir no seguinte conceito: «Se sois predestinados, pouco importa o modo como vivais, de qualquer maneira sereis salvos; se não sois predestinados, não importa como vivais, porque de todas as maneiras estareis perdidos.»

Admitem outros tratar-se de um grupo de pastores ambiciosos, que aspiravam estabelecer uma hierarquia dominante nas igrejas. João na sua terceira carta, faz referência a um certo Diótrefes, que amava ter a primazia (v. 9, 10).

E Paulo dizia aos anciãos da Igreja de Éfeso: «Porque eu sei isto: que depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho…» (Actos 20:29)

Pois bem, Diótrefes e os que com ele alinhavam contra o sistema democrático do governo da igreja local, eram oficiais da igreja local, eram pastores. Mas ao que parece, a doutrina dos nicolaitas praticada na igreja de Pérgamo não tinham o apoio do pastor, sendo seguida apenas por alguns leigos da igreja. Isto diz-nos que a mencionada doutrina não afectava profundamente o governo ou sistema moral da igreja. A opinião mais generalizada e aceitável é que os nicolaitas ensinavam uma doutrina, que propendia para a libertinagem, tanto no ensino como na moral.

Portanto, a igreja estava ofendendo a Deus, ao permitir que alguns dos seus membros ensinassem e praticassem a doutrina de Balaão e dos nicolaitas; e o Senhor exorta-a, dizendo: «Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.»

A igreja de Pérgamo não exercia a disciplina entre os membros, e este era o seu grande pecado, diante de Deus.

Deixar de condenar e, quando necessário, excluir o pecado do meio da igreja, é participar do mal.

Se nos tornamos culpados de semelhante transigência o caminho é voltarmos a Deus arrependidos; se não, a espada da verdade ferir-nos-á.

 

 

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Como Jesus vê as igrejas

Tiatira

 

Vou considerar a carta endereçada pelo Senhor à igreja de Tiatira.

 

Apocalipse 2:18…

«E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem Seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente:

Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.

Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensine e engane os Meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.

E dei-lhe tempo para se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu.

Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.

E ferirei de morte os seus filhos, e todas as igrejas saberão que Eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.

Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como se diz, as profundezas de satanás, que outra carga vos não porei.

Mas o que tendes retende-o até que Eu venha.

E o que vencer, e guardar até ao fim as Minhas obras, Eu lhe darei poder sobre as nações,

E com vara de ferro, as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi do Meu Pai.

E dar-lhe-ei a estrela da manhã.

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.»

 

A corrupção que entrou como um dilúvio no quarto século do Cristianismo aumentou até merecer o título de «profundezas de satanás» (vers.24)

 

Tiatira leva-nos ao período do pleno desenvolvimento do Romanismo. A esta igreja o Senhor apresenta-Se como

«O Filho de Deus».

O Romanismo fala de Jesus como filho da Virgem, como filho de Maria.

A apostasia romana tem colocado uma mulher iníqua que existia na igreja no lugar unicamente pertencente ao Filho de Deus.

Jezabel, a mulher iníqua que existia na igreja de Tiatira representa o papismo, e torna-se a mulher prostituta do décimo sétimo capítulo de Apocalipse. A Jezabel do tempo de Elias era uma princesa filha do rei dos Sidónios, casada com Acab, monarca de Israel. Foi ela que introduziu no reino de Samaria a forma síria do culto a Baal, a Astarte e a outras divindades fenícias.

Com esse culto trouxe também para os israelitas muitas daquelas abominações que haviam atraído a ira de Deus contra os Cananitas.

Tão fanatizada estava Jezabel na sua religião, que à sua mesa reunia 450 profetas ou sacerdotes de Baal e 400 sacerdotes de Astarte. (I Reis 18:19).

Ela veio a tornar-se uma terrível perseguidora dos verdadeiros profetas de Deus. (I Reis caps. 18-21).

Agora surgia em Tiatira uma mulher com o mesmo nome ou encarnando do mesmo espírito diabólico da Jezabel do Antigo Testamento.

Podemos aplicar tudo isto ao Romanismo na sua fornicação e idolatria espiritual.

Na quarta parábola do Reino, ensinada por Jesus, o Senhor faz referência a uma mulher que tomou fermento (símbolo de corrupção) e o introduziu em três medidas de farinha (símbolo de pureza da doutrina cristã).

Não é demais afirmar-se que a mulher na parábola do fermento é Roma, a Jezabel da Carta de Tiatira.

Esta é a mais extensa das Sete Cartas.

A igreja de Éfeso tinha deixado o seu primeiro amor; mas o Senhor louva Tiatira por seu amor, serviço, fé e paciência, e ainda por suas últimas obras, que excediam as primeiras. Era uma igreja activa e na qual ardia o fogo do primeiro amor; mas o Senhor está contra ela, por permitir a Jezabel, mulher que se havia feito passar por profetiza, usar processos de forma a mentalizar a igreja de que ela era possuidora de um maravilhoso dom de ensinar e de profetizar.

Com suas pretendidas profecias, havia logrado enganar alguns membros da igreja, arrastando-os às práticas idólatras e imorais do paganismo.

Estamos mesmo a veros «maravilhosos cultos na sua casa», quando era procurada por alguns dos membros da igreja, qua se deixavam guiar por seus conselhos, que se iludiam com as máximas da sua maravilhosa sabedoria.

Segundo o versículo 24 parece que os adeptos desta mulher afirmavam ser os seus ensinamentos mais profundos que os do pastor da igreja, quiçá, dos apóstolos do Senhor. E Jesus diz que sim, que seus ensinos eram profundezas mas «profundezas de satanás».

Cuidado com essas mulheres que se dizem profetizas, – e há-as em todas as igrejas cristãs!

São mulheres que se esforçam por criar o seu próprio nome: trabalham, ao que parece, com muito zelo, visitando doentes, orando por eles, impondo as mãos sobre endemoninhados com tal ousadia que muitos membros da igreja acham que nem mesmo o pastor ou os anciãos têm semelhante ousadia e sabedoria.

Elas esforçam-se para que as suas actividades sejam reconhecidas e, por que não (?) oficializadas na igreja.

São detentoras de uma maneira muito subtil de iludir; e se não têm coragem ou receiam afirmar publicamente que conhecem e ensinam coisas mais profundas que as reveladas por Deus na Sua Palavra, ao menos, por meio de profecias e influência, conseguem seus objectivos. Alguns há, até, que possuem na sua casa uma espécie de consultório, onde se reúnem crentes doentes, pelos quais oram, ungindo os mesmos com azeite, trabalho que apenas aos presbíteros é permitido (Tiago 5:14-15).

Todas as chamadas profundezas que contradizem a Palavra de Deus têm a sua origem nas mesmas profundezas ensinadas por Jezabel. Essa mulher, com suas desmedidas pretensões, era um instrumento satânico metido como tição no seio da igreja, com o propósito de aparta-la da simplicidade do Evangelho. Jezabel conseguira enganar alguns; todavia, a maior parte conservava-se limpa da contaminação interior e exterior que a sua doutrina trazia. Os versículos 24 e 25 fazem prova disso: «Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como se diz, as profundezas de satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que tendes retende-o até que Eu venha»

As palavras «outra carga», querem significar: Não vos concederei outros mandamentos e ordenanças, outra revelação, mas guardarei o que vos tenho dado. Compare Actos 15:28 e veja o que diz:

«Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:»

As decisões da igreja só devem ser tomadas pelo homem após a direcção dada pelo Espírito Santo, através da oração, jejum e da fidelidade à Palavra de Deus. A verdadeira igreja deve ouvir o que o Espírito lhe diz, para andar na vontade divina e debaixo do discernimento que só o Espírito Santo concede.

E em verdade como revelação Divina e inspirada para servir de padrão e de comportamento da vida e fé cristã, o Apocalipse foi o último livro. (Apocalipse 22:18,19)

Jesus Cristo culpa a igreja de Tiatira por permitir que Jezabel ensinasse a sua falsa doutrina.

As igrejas devem ter muito cuidado com o que crêem e ensinam aos seus membros: e quando ensinam coisas contrárias ao que claramente está revelado na Palavra de Deus e com ela se não possam provar, deve chamar-se a atenção da pessoa, seja ela quem for; e se não obedecer à verdade, em certas circunstâncias há que proceder como o apóstolo S. Paulo em relação a Himeneu, Alexandre e Fileto: entregou-os a satanás, para que aprendessem a não blasfemar. (I Timóteo 1:20; II Timóteo 2:17,18).

Quando uma igreja se permite que «Balaão», «Jezabel» e «Nicolaítas» se arvorem em guias, pastores, ou pastoras, que procuram influenciar a congregação, não está no agrado de Deus. Muitas vezes não se actua, com o devido rigor, por tratar-se de alguém de certa categoria e posição financeira e influência; minimizamos o problema, mas a gangrena está lá a fazer a sua obra.

E «um pouco de fermento leveda toda a massa».

S. Paulo diz: «As falas doutrinas são como o sangue envenenado a girar nas veias dum corpo, que aqui e ali à superfície, origina chagas purulentas. Himeneu e Fileto são esse sangue envenenado, traidores a fé.» (II Timóteo 2:17).

Da Carta à igreja de Tiatira aprendemos igualmente qual é a atitude do senhor para com os desencaminhados, pois Ele diz: «E deis-lhes tempo para que se arrependessem da sua prostituição; e não se arrependeu.» (Apocalipse 2:21)

Alma desgarrada que estás a ler através destas linhas:

O Senhor na Sua longanimidade não deseja que te percas e esta a «esticar» o tempo para que te arrependas, para que voltes ao Seu redil, e deixes de ser um maleável instrumento de satanás!

Até quando continuarás a ofender o Senhor e a desprezar a Sua Misericórdia?

Volta a Deus antes que seja demasiado tarde; antes que o Senhor tenha de fazer contigo o que fez a Jezabel, conforme se lê nos versículos 22 e 23.

Estas palavras de Jesus fazem-nos pensar, com dor e espanto, na situação daqueles que, depois de terem conhecido a verdade, dela se apartaram e persistem na prática do erro e do pecado, com os quais estão a ofender e a desafiar Deus.

O alma que te tens apartado do Senhor: Contempla-te no espelho de Jezabel, e escuta estas Suas palavras: «E dei-lhes tempo para se arrependerem»; e como não se tem arrependido, «ferirei de morte a seus filhos; e a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, para que as igrejas saibam que Eu estou no meio delas», – com olhos como chama de fogo, tudo observando, até ao mais profundo dos corações.

 

 

Orquideas

 

Como Jesus vê as igrejas

Éfeso

 

O primeiro artigo desta série, introduz o importante assunto das cartas apocalípticas, através das quais se verifica como o Senhor Jesus Cristo vê as igrejas.

 

Nos dias antigos, Éfeso tornou-se uma cidade magnífica e de grande projecção. Era centro comercial e uma vasta região, que além de rica primava pela excelente beleza.

Tornou-se sede do Governo, das artes, erudição, riquezas e religião.

Dentro do sistema pagão que predominava, sobressaía a superstição que se ligava ao culto da deusa Diana, adorada por toda a Ásia. Éfeso era a sede desse culto e o templo dedicado à deusa foi considerado uma das «Sete Maravilhas do Mundo».

Era feito de mármore polido, sustentado por cento e vinte e sete colunas de mármore persa, cada uma com mais de vinte metros de altura.

A imagem da deusa, um quase informe pedaço de pedra que os Efésios afirmavam haver descido de Júpiter, ocupava o lugar central do templo, e da boca de milhares de seus adoradores podia ouvir-se o grito fanático: «Grande é a Diana dos Efésios», (Actos 19:34).

Foi naquela cidade e aquando da terceira viagem missionária de Paulo que se levantou uma florescente igreja cristã, que depois veio a multiplicar-se com alguns milhares de membros com os seus muitos anciãos ou presbíteros (Atos 20:17…)

A esta igreja dirige o Senhor a Sua primeira carta:

 

Apocalipse 2:1… «Escreve o anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz Aquele que tem na Sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:

Eu sei, as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achastes mentirosos.

E sofreste, e tens paciência: e trabalhaste pelo Meu nome, e não te cansaste.

Tenho porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor.

Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não virei a ti, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.

Tens, porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais Eu também aborreço.

Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus

 

Depreende-se da leitura da Carta que Jesus elogia a Igreja por cuidar dos padrões doutrinários que irradiavam do seu púlpito. Oh, como o senhor apreciava o seu trabalho sincero e perseverante, o seu zelo pela pureza moral e doutrinária, sua declarada paciência em suportar as provas que enfrentava enquanto realizava o seu trabalho!

Os que davam uma profissão falsa com o objectivo de serem admitidos como seus membros, fossem mestres ou leigos, eram provados e muitos foram achados mentirosos.

A igreja insistia na necessidade de uma comissão de fé sem qualquer reserva mental por partes dos seus membros e obreiros.

Com isto revelava o cuidado que lhe merecera a solene advertência de Paulo: «Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com Seu próprio sangue. Porque eu sei isto, que, depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si» (Atos 20: 28-30)

 

Nem todas as coisas, porém, eram perfeitas na Igreja de Éfeso.

Tal como ainda hoje, é impossível encontrar-se a perfeição absoluta em qualquer igreja. Mas a falta da Igreja de Éfeso era das piores que se pode avaliar. E o Senhor diz «Tenho porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade»

 

No grego esta expressão é bastante mais severa, pois significa: «Tenho, porém contra ti algo muito sério…»

Sim, é muito sério a perda do nosso primeiro amor a Cristo!

 

«Aumentando cada vez mais o número dos seus membros, e devido à crescente responsabilidade, tornou-se necessária uma melhor organização. A organização traz um grande perigo, principalmente para sociedades cristãs que exigem uma lealdade especial por parte dos seus membros. O trabalho que os adeptos de uma organização assim realizam pode continuar, ainda mesmo em todos os aspectos exteriores, mas o incentivo poderá ser a lealdade a essa organização, poderá ser o desejo de vê-la crescer e prosperar.»

 

Aquela igreja retinha fé sem vacilações. Era ainda fiel aos seus princípios que consideramos fundamentais. Continuava fiel no serviço e zelo cristão. A sua motivação, porém, começava a alterar-se. O que de início era feito por amor a Cristo, o trabalho da igreja, toda a azáfama dos seus obreiros e membros, passou a ser feito em prol da igreja, em vez de ser feito por amor a Cristo.

 

E lealdade à Igreja nem sempre significa lealdade a Cristo; amor à Igreja nem sempre significa amor a Cristo!

 

Quando amamos a Igreja amamos a nós mesmos.

O amor a Cristo está em primeiro plano.

O segundo amor é a igreja.

E Éfeso tinha perdido aquele primeiro amor.

E o que é o primeiro amor?

É o amor que se sente por Cristo quando o Seu amor para connosco se torna real e é manifesta em nossas vidas; é o amor que nos constrange logo que o Senhor entra nos nossos corações e nos transporta das trevas para a Sua maravilhosa luz, da morte para a vida, do poder do diabo para a doce reconciliação e comunhão com Deus.

Quando a alma experimenta esta maravilha, então sentimo-nos dispostos a dar tudo por Cristo, porque Ele enche o nosso coração e torna-se tudo para nós.

Este primeiro amor é semelhante a uma planta muito preciosa e sensível, que carece de ser cuidada; porque se nos descuidamos, o vento seco do maligno dissipará nosso fervor, esfriará o nosso zelo e entusiasmo, extinguirá nossa exuberância e apagará a chama do amor a Cristo nos nossos corações, enchendo-nos com amor às coisas deste mundo, a coisas secundárias.

E a Igreja de Éfeso era escrupulosa na moral, fundamentalista na doutrina, mas tinha permitido que se esfriasse o seu primeiro amor. E quando uma igreja começa a descer por este declive, bem depressa abandonará a moral e a doutrina; e, perante tal perigo, o Senhor adverte: «Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5)

 

A exortação para que voltasse à prática das primeiras obras, prova a nossa anterior afirmação: pois quando uma igreja começa a esfriar no primeiro amor, bem depressa abandonará a doutrina e a moral. Prova outrossim, que a coisa mais importante na apreciação do Senhor é o amor ardente dos nossos corações por Ele e pelos que d’Ele são gerados (I João 5:1)

Nada O poderá satisfazer se acaso nos faltar esse amor.

Não existe, para este primeiro amor, «o amor dos desposórios» (Jeremias 2:2), qualquer substituto.

Nem o nosso entusiasmo no trabalho do Mestre, o nosso zelo constante e ardente, as vigílias e orações, correr-se daqui para acolá no desempenho da nossa missão de obreiros, etc, etc; nada disso substituirá o primeiro amor perdido.

O programa de Jesus Cristo para a salvação dos perdidos pecadores e da propagação do Seu Evangelho, eram para a Igreja de Éfeso uma fonte de inspiração, a razão da sua energia, que levava seus membros a trabalhar até a exaustão, e que implantavam nos seus corações o mais profundo anelo pela salvação das almas, e por que não dizer até, a determinado grau de rigidez no que à disciplina e sã moral de seus membros se podia exigir.

Todavia, Cristo aponta-lhes a grande falta, o «algo muito sério» que tinha contra aquela Igreja.

Mas nem tudo está perdido!

Para um pastor, para uma igreja, assim como para qualquer crente o caminho de volta à Fonte do primeiro amor é o caminho do arrependimento.

Assim, dizemos que o princípio de um verdadeiro e espiritual reavivamento, é a volta de uma igreja, do indivíduo ao primeiro amor.

Sem este divino amor derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos é dado, nada somos aos olhos do Senhor.

Embora uma igreja ou um indivíduo seja possuidor dos melhores dons espirituais, incluindo a fé que pode transportar montanhas, se não possuir este amor de Deus, apenas é metal que soa e sino que badala.

Nós sabemos que os sinos são usados nas igrejas, maioritariamente para chamar os fiéis ao culto. E o culto, com todo o seu ornamento e ritual, por muito bem organizado e enfeitado que seja, se o amor de Deus, tal como Ele nos ama e pretende que nos amemos uns aos outros com a mesma essência desse amor, não estiver em nossos corações, nada nos aproveitará.

O castiçal está a apagar-se e, se não utilizar-mos os «espevitadores» do arrependimento e da humilhação, «brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5).

Cristão, dá-te pressa em averiguar o que determinou que perdesses este divino amor por Deus, pela Igreja, pelos Irmãos, pela Palavra de Deus, pela Oração, pelas almas perdidas, etc.

E volta ao Senhor, que te ajudará.

O apóstolo S. Paulo muito solenemente diz: «A ninguém devais coisa alguma, a não ser amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume; Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. Escutemos digo isto, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé» (Romanos 13:8-11).

Paulo liga o problema do amor, esta «dívida» que quanto maior for para com todos tanto melhor para nós, à Segunda Vinda de Nosso Senhor.

E se queres ouvir, Igreja de Éfeso, o amor é o azeite na lâmpada e na almotolia das Virgens prudentes.

 

 

 

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Boletim meteorológico espiritual.

 

Quem não sabe o que é o «boletim meteorológico»?

Mesmo quem ignora o significado dessas palavras, sabe no entanto referirem-se às notícias acerca do tempo que fará durante as próximas horas ou dias.

Há pessoas que podem não ouvir outra coisa na rádio ou televisão, mas pelo menos a informação do estado do tempo não perdem.

Só depois desligam o aparelho…

Talvez seja um agricultor pretendendo saber se pode semear ou ceifar, ou alguém em vésperas de encetar uma viagem.

Claro que semelhantes boletins podem falhar, como tantas vezes sucede.

Os homens e as máquinas são falíveis, mesmo tão aperfeiçoados como se encontram na actualidade.

Mas é Deus quem manda as chuvas e muda os tempos sem consultar as máquinas.

No entanto estamos gratos por esses meios que a ciência e a tecnologia têm posto à nossa disposição, os quais beneficiam sem dúvida o homem.

 

Quero porém falar de um boletim meteorológico diferente, um boletim que não anuncia sol ou chuva, mas os tempos que brevemente surgirão.

Cristo deixou-nos esse «boletim» através das Suas palavras, quando os Seus discípulos Lhe perguntaram acerca do tempo em que ocorreriam essas coisas concernentes à vinda de Jesus e ao fim do mundo.

O Senhor não revelou a data, pois tal conhecimento não nos beneficiaria.

Esse é uma das coisas encobertas que só ao Criador diz respeito. (Deuteronômio 29:29)

Perder-se-iam, com certeza, inúmeras pessoas se o dia do advento de Jesus fosse revelado. Haveria descuido total por parte dos cristãos. «Ainda falta muito tempo», desculpar-se-iam muitos.

O descuido na santificação das vidas seria geral.

E Jesus deseja que vivamos todos os dias na expectativa, como o servo que aguarda o seu senhor em vigia constante, pois não sabe quando o mesmo chega (Lucas 12:36).

Os discípulos de Jesus fizeram bem em interroga-Lo concernente aos eventos futuros, pois é a Ele que devemos fazer semelhante pergunta e não aos espíritos dos defuntos ou aos feiticeiros (Isaías 8:19 e 20; 45:11).

Isso revela que eles acreditavam na divindade de Cristo.

Em resposta, o Salvador deu-nos o «boletim meteorológico espiritual», prevendo acontecimentos que seriam uma evidência da Sua própria vinda à Terra.

Ora esses sinais estão a acontecer numa sucessão tão rápida e visível que sentimos estar iminente a segunda vinda de Cristo para levar a Sua Igreja, como sucedeu com a transladação de Enoch antes do Dilúvio.

Jesus Cristo aludiu aos tempos de Noé, afirmando que da mesma se acharia aproximando o fim. Não obstante uma cultura diferente, uma ciência e tecnologia que nem por sombras se pode comparar à de então. Haverá no entanto uma semelhança visível entre o modo de ser e viver daquelas recuadas eras e o que o caracterizará os tempos finais.

O Senhor não se limitou a dizer que seriam iguais, asseverando «em que» seriam iguais.

O leitor pode duvidar ou até não crer no boletim meteorológico de Jesus, mas o caso é que a sua Palavra não passará.

E mesmo os que não acreditam nela estão a mover-se de forma a tornar verídica a Escritura Sagrada.

 

Dias de violência

 

Lemos na Bíblia (Génesis 6:13) que Deus disse a Noé: «O fim de toda a carne é vindo perante a minha face, porque a terra está cheia de violência».

Eis o primeiro sinal dos nossos dias. A violência principiou cedo quando Caim assassinou o seu irmão Abel, e logo mais um dos seus descendentes mata outro por havê-lo ferido e um mancebo por pisa-lo, (Génesis 4:23).

A partir daí a violência cresceu até inundar a Terra.

Tudo era vingança, sangue derramado, crime.

A vida humana perdeu valor, e matar era normalíssimo.

Eis chegados a nós, dias idênticos, e o «boletim» a cumprir-se.

Lendo os jornais e ouvindo o noticiário notamos que a violência domina o mundo, desde indivíduos a nações que escravizam e violentam.

Por causa do desporto, da música, da política, etc, matam-se uns aos outros.

As autoridades não têm mãos a medir, pois os homens do crime estão muitas vezes mais bem armados do que a própria polícia.

Um dos negócios mais chorudos é o que se relaciona com a segurança das pessoas e bens.

Os anúncios de venda de armas, fechaduras com segredo e invioláveis, alarmes, etc, são vendidos aos milhares como prova de que vivemos tempos de violência.

Os filmes que as crianças mais gostam de ver são os que tratam de guerra, assaltos e pancadaria.

O nativo na sua palhota dorme mais sossegado mesmo com o leão bem perto, que habitantes das grandes cidades.

Crimes de morte são praticados na praça pública ante os olhos incrédulos dos transeuntes.

Bombas matam e destroem os bens essenciais a todos nós.

Isto é uma evidência de que o «boletim de Jesus é verdadeiro».

 

 

Dias de imoralidade

 

Jesus recorda, em Mateus 24:38, que nos dias de Noé as pessoas viviam alheias à Palavras de Deus, preocupando-se apenas com coisas materiais, como casar e dar-se em casamento.

A leviandade era total nesse campo. Entregavam-se à mais baixa imoralidade.

Os princípios que orientavam o casamento foram considerados obsoletos, antiquados.

O amor livre praticava-se já nesses dias embora com outro nome.

Veja-se como até as crianças são exploradas pela literatura pornográfica. Seres humanos têm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo e até com animais!

As revistas mais vendidas e que dão lucros fabulosos são as que publicam notícias e fotografias de pessoas nuas.

O aborto legalizado é o assunto dos meios de comunicação social.

Relações sexuais antes do casamento são mantidas e até defendidas.

O nudismo, que se iniciou na Alemanha apenas em recintos fechados, é hoje praticado às claras e ganha adeptos em todas as classes sociais.

Semelhante nudismo é podridão total.

De facto, os olhos do ser humano estão cheios de adultério como escreve o apóstolo Pedro, (II Pedro2:14).

 

 

Dias de glutonaria

 

Antes do Dilúvio, o povo vivia praticamente para comer e beber, como disse Jesus, (Mateus 24:38).

Claro que não é pecado comer ou beber, pois trata-se de uma necessidade fisiológica de todos os mortais para se poderem manter vivos.

Uma certa forma de comer e beber, contudo, é glutonaria e embriaguês; é uma total entrega ao prazer de comer e beber.

Assim o deus-ventre vai ganhando devotos, (Filipenses 3:19).

Já acabou o tempo de se passar fome até estar paga a dívida feita em período de desgraça ou compra de algo indispensável.

Agora come-se e bebe-se primeiro.

Quem mais sofre hoje é o que tem devedores e não o que deve.

Países há onde se come demais, sendo depois necessário praticar ginástica para emagrecer, enquanto noutros morre-se de fome.

Jesus classifica de louco o que diz para si mesmo: «Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga» (Lucas 12:19).

«Comamos e bebamos que amanhã morreremos» é a filosofia inspirada no Inferno.

A fome de Deus e de salvação não existe.

Isso é mais uma prova de que «o boletim de Jesus nos avisa que estamos no fim».

 

 

Dias de ruína familiar

 

Escreveu S. Paulo: «Sabe porém isto: que nos últimos dias (…) haverá homens amantes de si mesmos (…) desobedientes a pais e mães…» (II Timóteo 3:1,2).

O salmista diz que os fundamentos se transtornam, Salmos 11:3; isto é uma realidade nas famílias.

A delinquência juvenil deixou de ser problema num país em particular para se tornar flagelo mundial.

Professores chegam a ir às aulas armados para se defenderem de ataques dos alunos.

A rebelião é aberta. Satanás, que se revoltou contra Deus, instiga a rebelião contra as autoridades.

Os lares perderam o calor, o ambiente familiar, e os serões ao lume (na lareira) são substituídos pelos clubes nocturnos, etc.

O pai para um lado, a mãe para outro e os filhos por sua vez, fazem o mesmo.

O boletim do senhor está certíssimo, e diz-nos que temos pouco tempo à nossa frente.

 

 

Tempo de coisas espantosas

 

A expressão usada pelo profeta Jeremias no seu livro (5:30) é também a que emprego no término deste artigo.

É isso que está patente aos nossos olhos.

Quanto poderia descrever acerca dessas coisas espantosas que apontam para o fim!

O leitor sabia haver pessoas que se reúnem para adorar literalmente o Diabo, invocando-o, exaltando-o, dirigindo-lhe petições como nós fazemos a Deus?

Sim, vivemos dias de autêntico satanismo.

O ateísmo está na moda. Zombar de Deus é o divertimento de muitas pessoas e até de nações.

A ciência é outra coisa espantosa e também um sinal do fim, como disse Daniel (12:4).

A ciência atingiu quase o impossível.

Infelizmente não podemos dar o nosso apoio a todas as suas invenções. Muitas invenções não favorecem o homem, mas aniquilam-no.

 

Tempo da Graça de Deus

 

Paralelamente à depravação do homem, manifesta-se a Graça de Deus.

Foi-nos prometido: «Nos últimos dias derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne».

Isto é uma realidade.

Tal como nos dias de Noé, ao lado da violência, imoralidade e glutonaria havia um pregador anunciando e apontando para o único lugar de salvação: a Arca.

Milhares, actualmente, cansados da vida sem Deus e sem esperança, estão a nascer de novo, a crer em Deus, a ler a Bíblia, a tornar-se membros da Igreja.

As pessoas ouvem, pelo boletim noticioso, que virá tempestade, tomam naturalmente as necessárias precauções, e nem para outra coisa o tal boletim é dado.

Há também quem duvide e ria.

Pois bem, o Senhor Jesus deixou-nos o Seu aviso.

Agora depende do leitor as diligências a tomar para sua salvação.

Invoque o nome de Jesus.

Nas mãos Dele reside a sua segurança.

Viva liberto da corrupção deste mundo e depois será salvo da ira que se avizinha.

Arrependa-se agora!

 

Pastor Manuel S. Moutinho

Novembro 1980

 

Três pecadores

 

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Três pecadores

 

«Ser pecador», é expressão que está perdendo dramaticamente seu verdadeiro significado.

O homem declara-se pecador com uma naturalidade constrangedora.

Falta-lhe a angústia de Isaías: “Ai de mim” e a aflição de Paulo “Miserável homem que sou”.

Para muitos, crime e pecado é a mesma coisa, sendo portanto o pecador uma pessoa fora da lei e procurada pela polícia.

Claro que os tais são pecadores, mas todos somos pecadores.

A palavra pecado é apresentada na Bíblia como fracasso, erro, iniquidade, transgressão, injustiça, etc.

O pecado é pré-histórico.

O ser humano foi tentado a pecar por parte de Satanás.

O promotor do pecado já existia por ocasião da tentação.

O pecado atingiu todos; é moléstia que não deixou um só homem de fora.

Isto não significa que a criatura humana é pervertida em tudo o que faz, mas que toda a natureza do homem foi atingida e poluída: corpo, alma, espírito, mente e emoções.

O pecado é, acima de tudo contra Deus, David dizia ao Senhor após a sua transgressão: “… contra Ti pequei” (Salmo 51: 4)

O pecado alterou as atitudes do homem para com Deus e também as do Criador para com a criatura.

O pecado leva o ser humano a fugir e a esconder-se, bem como a procurar emancipar-se do Todo-Poderoso: além do mais, Deus entristece-se e indigna-se em face do comportamento do transgressor.

Desejo referir-me em meia dúzia de linhas, a três espécies de pecadores, diferença que se pode encontrar na mesma pessoa, como no caso do filho pródigo mencionado por Cristo no Evangelho, (Lucas 15: 11,32).

 

*Pecador inconsciente.

O jovem da parábola alimentava-se, divertia-se, vivia na pândega, no seu novo ambiente, visto ter abandonado a casa e os conselhos paternos, tornando-se independente.

Nessa nova situação ele desconhece o seu verdadeiro estado. O pai, no entanto considera-o perdido, morto.

Todos nós que seguimos a Jesus vivemos essa espécie de vida: estivemos na mesma cegueira.

O inconvertido é comparado a um cego que não sabe normalmente onde está. “ Não sabes que és….um desgraçado e miserável e pobre e cego e nu” diz o Espírito Santo em Apocalipse 3:17.

Por tal motivo Deus concedeu ao apóstolo Paulo a missão de, mediante o anúncio do Evangelho, ir aos gentios para que os seus olhos fossem abertos, convertendo-se das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, (Actos 26:18).

Por que razão o ser humano não teme a ira de Deus?

Por que não se importa de fugir do Inferno?

Por que está ele inconsciente concernente às realidades espirituais?

 

*Pecador consciente.

“Aqui padeço”

 Foi a descoberta do moço da parábola em causa.

Começou despertando lentamente; principiou a recuperar a razão quanto ao seu proceder e estado.

Tal como alguém que fica inconsciente, desmaia e é levado a um hospital ou outro lugar de socorro, ao recuperar os sentidos abre os olhos e fita admirado o lugar, as pessoas e as coisas, começando a inteirar-se que algo sucedeu.

Pergunta, interroga… que me aconteceu?

Onde estou?

Quem me trouxe para aqui?

Onde está a minha família?

Damos graças a Deus todos quantos já despertamos para o nosso estado espiritual.

Muitos recusaram-se a acordar; ofendem-se com o despertar pois, sentem-se bem adormecidos.

Terão um triste abrir de olhos na eternidade, como o rico que abriu em tormentos, (Lucas 16:23).

Acordar é bom, pois ficamos despertos para a realidade da nossa situação e dos passos que temos de dar.

Precisamos de ir mais além, como o pródigo em apreço. “Levantar-me-ei, e irei ter como meu pai, e dir-lhe-ei: Pai pequei contra o céu e perante ti” (Lucas 15:18).

Isto é a atitude dum indivíduo consciente e desperto.

 

* Pecador salvo.

“Estava morto e reviveu: tinha-se perdido, e achou-se” (Lucas 15:32).

Estas palavras disse-as o pai ao abraça-lo e beija-lo.

Não se tratava de um sonho ou de uma voz ouvida num momento de delírio, mas a voz do pai que ama e recebe.

O fato novo, os sapatos nos pés, o anel na mão, a festa em casa para comemorar o facto, são prova real que ele está salvo, que está nos braços do progenitor.

Quando o pecador se converte, o mesmo sabe que é salvo, não só pelo que Deus declara na Sua Palavra, mas por aquilo que ele próprio sente e experimenta.

Acabou a fome espiritual, o medo e a angústia.

O ambiente que nos rodeia já não são os suínos e o seu cheiro característico, porém, ambiente santo, hinos e oração a Deus.

Ser salvo é estar onde não se encontrava, e ser o que não era.

O tempo de perdido e espiritualmente morto pertence ao passado.

Podemos ouvir, pela fé, a voz de Deus dizer-nos: “Este meu filho estava morto… tinha-se perdido” mas isso era no passado.

No presente está são e salvo.

Antes não tinha nada, agora possui tudo.

Prezado leitor (a), em que situação espiritual se encontra?

É um pecador inconsciente, consciente ou salvo?

O estado do rapaz foi mudado por via da cooperação entre ele e seu pai.

O pródigo veio arrependido, confessando o seu pecado, e encontrou braços abertos e um coração repleto de amor.

 

Deus ricamente o (a) abençoe!

 

Pastor Manuel da Silva Moutinho

Novembro 1974

Uma Luz e uma Voz

 

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Uma Luz e uma Voz

 

Uma luz e uma voz foram os meios usados por Deus para a famosa conversão de Saulo.

Esse homem era então um perseguidor da Igreja e dos verdadeiros crentes, mas que aos seus olhos não passavam duma seita falsa, herética e perigosa, a qual, segundo pensava, era conveniente liquidar com toda a urgência.

Por isso, tanto em Israel como até nas nações vizinhas, Saulo os perseguia, prendia e maltratava com crueldade.

Mas, para espanto geral, a notícia corria célere na boca dos crentes.

«O nosso perseguidor anuncia agora a mesma fé que nós.»

O que aconteceu com esse homem?

Como surgiu tal mudança?

A essa transformação a Bíblia chama de Novo Nascimento ou Conversão, a qual é exigida a todos os homens.

Porém é conveniente esclarecer, desde já, que conversão não significa adesão a uma religião diferente.

Também não é uma troca de credo motivada tantas vezes por interesse ou conveniências de casamento, de negócio, ou outros.

A conversão tem que estar ligada com convicção de pecado, arrependimento duma vida passada que ofende a Deus e uma fé no amor e na Sua misericórdia, bem como o desejo de passarmos a obedecer aos ensinos das Escrituras para assim Lhe agradarmos.

A conversão começa no interior, embora se manifeste progressivamente no exterior.

A Bíblia chama-lhe «mudança de coração», «nova vida», «nova criatura».

Se não vos converterdes não podeis entrar no reino de Deus (Mateus 18:3 / João 3:3).

Arrependei-vos e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados (Atos 3:19).

Antes da conversão o homem é comparado ao zambujeiro – árvore bravia de fruto amargo.

Depois ele passa a ser considerado oliveira.

Mas vejamos o que Deus usou a fim de produzir a conversão desse perseguidor da Igreja.

 

Uma luz cercou-o de resplendor

 

A Luz foi o meio, através do qual Deus se revelou, e isto para mostrara a primeira necessidade de Saulo.

Jesus não veio a ele com uma espada, apesar de o seu procedimento o merecer, mas sim conforme a sua necessidade.

Isto é amor!

Essa luz não iluminou apenas o exterior, mas penetrou bem fundo na consciência desse religioso cruel.

Imediatamente ele viu-se um pecador, um perdido.

Concluiu então que Jesus não era um defunto, mas estava vivo e era o Messias, o Filho de Deus.

Saulo reconhece-se em oposição a Deus e não servo d’Ele como antes pensava.

Cristo pretende que esta convicção se repita em cada um de nós.

O Seu desejo é aniquilar as trevas em que cada homem vive mergulhado.

Deus tem urgência em pôr fim a essa escuridão.

No princípio havia trevas, segundo lemos nos primeiros versículos da Bíblia, mas logo descobrimos que Deus não as desejava e ordenou: «Haja Luz!».

A cegueira, as trevas espirituais em que o homem vive são provocadas pelo diabo o qual «cegou os entendimentos dos incrédulos», diz mais tarde o Apóstolo Paulo (II Coríntios 4:4).

Mas como pode chegar a nós essa luz?

Deus nos envia a mesma através da Sua Santa Palavra.

Lemos que a Palavra «alumia os olhos», que é «lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho» (Salmo 19:8 / 119:105).

Nas vidas onde esta palavra actua nasce luz.

No dia de Pentecostes os que ouviram a pregação de Pedro receberam luz sobre o seu estado espiritual e clamaram: «que faremos, varões irmãos?»

A exposição da Palavra de Deus dá luz (Salmo 119:130).

Portanto torna-se necessário que o homem leia, estude e assista à pregação do Evangelho.

Aos que interrogavam Jesus remetia-os Ele para as páginas do Livro de Deus.

Se o leitor quer ter luz, procure-a na Bíblia Sagrada.

 

Saulo ouviu uma voz

 

Após a luz, Saulo teve o privilégio de ouvir uma voz.

Por esse meio ele recebeu orientação para se dirigir a Damasco e ali ser ensinado e instruído acerca do caminho da salvação por um discípulo que lá vivia, o qual o recebeu, através duma visão, ordens de Jesus para dirigir à rua Direita e procurar um homem de Tarso chamado Saulo.

Ananias obedeceu a esta visão e em breve o religioso fanático era baptizado nas águas após haver aceite no seu coração a verdade do Evangelho.

Saulo ficou radiante.

Os seus pecados são perdoados e a sua alma é agora invadida por uma paixão pelos muitos religiosos que vivem perdidos tal como ele viveu.

De imediato se transforma na voz de Deus, pois se dirige à sinagoga e começa a testemunhar da sua conversão e da verdade encontrada em Jesus Cristo.

Todos precisam de Luz e da Voz, sem a qual o trabalho divino no homem fica incompleto.

A luz mostra e a vos instrui.

Depois de se reconhecer pecador aos olhos de Deus, o homem precisa conhecer quem é o médico e o remédio eficaz para a sua cura.

Os companheiros de Paulo, apenas viram a luz, mas não ouviram a voz (Atos 22:9).

Viram o brilho da luz porém não ouviram a mensagem nem entenderam o seu significado.

Lemos na Bíblia que quando Jesus nasceu, os pastores que guardavam os rebanhos foram envolvidos por um resplendor de luz.

Ficaram cheios de medo, mas a voz do Anjo lhes disse: «Hoje na cidade de David, vos nasceu o Salvador que é Cristo o Senhor» (Lucas 2:9-10).

De novo temos a ordem: A Luz e a Voz.

Esses homens sem a voz nada podiam saber nem contar aos outros.

   Temos hoje a voz para que o homem, após receber a luz da Palavra, aprenda e compreenda o plano de Deus?

João Baptista disse aos judeus daquele tempo: «Eu sou a voz» (João 1:23).

Esse precursor de Jesus anunciava aos seus contemporâneos que ele era a voz de Deus.

Ele tinha da parte de Deus uma mensagem, um recado, tinha Alguém para lhes revelar e esse era: Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Muitos no princípio não deram crédito as suas palavras, mas mais tarde, perante os factos, já diziam: «Tudo quanto ele disse era verdade» (João 10:41).

A Voz de Deus é, portanto, cada crente, cada pregador que fala todo o conselho de Deus, mas apenas esses, pois muitos falam só o que lhes convém e agrada às suas vaidades, tal como o próprio satanás que também fala da Bíblia, porém sempre com outras intenções.

O mundo está cheio de falsificadores da Palavra do Senhor (II Coríntios 2:17), esses não podem ser a voz de Deus.

Ensinam tradições e mandamentos humanos misturados com textos bíblicos deslocados, e isso é um pecado horrível (Mateus 15:9).

Deus concedeu-nos a Sua Palavra e nós temos que a transmitir.

É crendo nela que se pode saber como ser salvo e agradar a Deus.

Um homem estava no Hades e pediu que um morto ressuscitasse e viesse à Terra avisar os seus familiares do mau caminho e exortá-los ao arrependimento. Então foi lhe dito: «Têm na terra Moisés e os profetas, –ouçam-nos» (Lucas 16:29).

Não existe outro meio para ouvir a Voz de senão pelo crente que fala a Sua Palavra.

«Ide e pregai o meu Evangelho. Quem crer e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado» – disse Jesus.

Deus está falando agora. Ao ler este estudo está a ouvir a voz de Deus.

Decide-te a obedecer como fez Saulo.

Não defenda suas ideias religiosas.

Agora mesmo dê crédito à voz do Senhor, embora isso exija grande mudança.

(Pastor M. Moutinho / Dezembro 1981)